Dados Técnicos

O Livro de Jitomir - Um Adolescente que Queria ser Escritor
A.P. Maryan
Scortecci Editora
ISBN 978-85-7372-982-5
Romance
Formato 14 x 21 cm – 300 páginas
2ª edição - 2008

O Livro de Jitomir - 2ª edição

O herói deste modesto livro ficou tão extasiado com as palavras da professora, ao conversar informalmente com seus alunos, que na mesma hora achou que dava para a coisa. Escrever um livro!. Saiu do colégio a mil, mas... como começaria a escrever tudo que tinha dentro de sua cabeça, tão cheia de sonhos (dourados ou prateados, azuis ou róseos?). Convém assinalar que nosso amigo tinha apenas dezoito anos e nessa idade, mudam de idéias com muita freqüência.
Se o moço era espírita, não se sabe, mas de vez em quando aparecia alguém do além para despertar em sua personalidade em formação seu gosto latente por letras, através de algumas francês paternais, mensagens que surtiriam efeito na hora certa. Todos os grandes mestres da literatura mundial que já estavam no andar de cima há muitos e muitos anos, nunca se esqueceram que em tempos longínquos foram tão moços, tão afobados e tão inseguros quanto ele era, numa época onde havia pouco tempo para divertimentos e bastante para uma educação esmerada e responsável, ao contrário dos tempos modernos.
Eles palmilharam caminhos esburacados e lamacentos, num mundo de sonhos (não tão róseos) e fantasias; curtiram triunfos e decepções, vitórias e frustrações e sentiram os olhos velados da inveja espreitando-os; mas venceram. Alcançaram o sucesso merecido e morreram sem querer, angustiados, querendo parar e retroceder o tempo ao sentirem-se realizados tão tardiamente.
Eis um traço do moço que queria ser romancista, contista, articulista, cronista e não-se-sabe-mais-o-quê!  Ele, na sua vida metódica de funcionário de uma empresa comercial, não sabia que muitos itens poderiam ser arquivados nos labirintos intrínsecos do cérebro, para um futuro aproveitamento. Quanto aos temas, nos dias de mais pessimismo, respondia sempre as suas próprias perguntas: esse não dá certo, aquele outro está muito sem graça, que coisa chata ver mendiga, ladrão, um enterro, ter um vizinho que não conseguia dormir, bah... O que falar dessa gente?
Em seu modo de ver, nada daquilo tinha lastro para uma pequena estória, mas nos dias de otimismo, num acesso de premonição, dava um pulo até o teto  e lá vinha um retumbante OBA... estalando na sua cachola.
Uma mendiga? Ela não nasceu mendiga, nasceu um lindo bebê e depois... o que a levou prostrada e encolhida num vão da igreja de mão estendida, em tão míseras condições? Ladrão, a mesma coisa; custa-se a imaginá-lo em tempos idos, no colo da mãe extremosa. Ele não nasceu ladrão, mas depois... Um enterro? Cá pra nós... como se gosta de fazer piadas (com o parente dos outros)! E o vizinho que não conseguia dormir? Sofria de insônia? Passeava altas horas da noite pelas ruas do bairro com seu fiel vira-lata. O que ele via nesse trajeto não programado, sem viva alma para obstar-lhe o caminho.
Se esses alegres tagarelas de fins de semana se trancassem em suas casas e deixassem de tagarelar entre si, por uma noite sobre o quotidiano, transferindo para o papel o apanhado de toda a tagarelice, os bares, botequins, bibocas, restaurantes e tendinhas ficariam temporariamente às moscas, já que todos seus habitués estariam apressando um conto.

Neste livro, constam os seguintes contos:

Os Intrusos
Uma Estranha Senhora
O Velório
O Leque Encantado
O Garoto de Ouro
O Vizinho Insone
O Professor
Um Médico de Canudos (1987)
Cem anos Depois (de 1897)

O Bueiro

Sonso, mas Sabido (Uma Aventura Copacabanal)

Não Fale Com Estranhos

... e Não é Que Deu Certo?

O Quase Suicida

O Pingüim Serelepe

Aquém do Horizonte (Arquipélago das Cagarras)

Hora da Verdade / Hora da Mentira

A. P. Maryan (Alice Pinheiro Maryan)

Alice Pinheiro Maryan passou sua infância em São Paulo, no bairro Vila Mariana, e estudou no Externato Sul Americano e Liceu Franco-Brasileiro (hoje Instituto Pasteur). Após mudança para o Rio de Janeiro, estudou no Colégio Rio de Janeiro, em Ipanema, Instituto LaFayette, no Botafogo e Colégio Rezende, onde estudou até o Curso Clássico.

A autora não gosta de ficção e prefere as biografias e literaturas medievais.

Seus autores nacionais favoritos são José Lins do Rego, Ana Miranda, Márcio de Souza e Carlos Eduardo Novais; e estrangeiros são H. Konsalik, Noah Gordon e Leon Urif, entre outros.