Dados Técnicos
Tempo de Baile
Antonio Mourão Cavalcante
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-1156-3
Formato 14 x 21 - 64 págs.
1ª edição - 2008
Tempo de Baile

Cuidado Irmão,
Diz-se que a menor distância entre dois ponto é uma reta. Esse princípio é válido, unicamente para a Geometria. A vida há que ser uma dança, alerta o filósofo, onde os passos valem mais que a
chegada.
No TEMPO DE BAILE descobri um badalar diferente das horas. Das cinzas das horas. Ou do renascer. Juntando cacos e retalhos, eis-nos "mesa posta". Na incerteza de ser, começamos o longo caminho que nos leva à esperança.Vida há sim. E plena. E depois. E depois do depois...

"Eis uma poesia plena de disfarces sutis, a um tempo descritiva, emblemática e elíptica nas amostragens humaníssimas que o poeta traz ao vivo. Um descritivo que leva quase à per-plexidade, eis que, quanta vez, desborda para o miniconto e para a espiralação poética; o emblemático vem a relevo no visual dos apanhados humanos; e o elípito, porque há uma essencialidade emotiva em cada verso, que tudo expõe em poucas palavras. De tudo isso, dessa vívida realidade, o que pulsa é outra realidade maior do universo social. De um lapso da vida o poeta tudo mostra: “Sai do sereno, menino. /O sereno pode te gripar./ Cuidado com a luz. Usa baixa. Fecha os olhos.” in Aviso. À primeira vista, nem parece poesia, quando a beleza dela está nos liames da subjacência formal.
Nestes quadros variados, que formam o arco, da alegria à dor, a imediata visão impressionista é arrebatadora. Impressionista porque mostra, foge e desfoca, e todo o apanhado poético, no corpo do poema, alcança o palpável, o tangível e o atemporal. “No pulo, / No grito, / Um carnaval antigo.” in Baile da saudade. Só o início deste poema sinaliza a sua visão total. Há passagem mais vívida, humana, do que no poema Cachaça? O arremate dele é um lance envolvente de toda uma existência: “É a vida de Seu José / Destilada. / No olhar, no zelo, no tempo.”. O simples vocábulo Destilada, este verso de uma única palavra, filtra a vida toda dessa criatura de Deus.
Obra de painéis e situações humanas e sociais variadas. Nos poemas mais longos ou nos curtos o ritmo criador não se altera. Há um sopro tênue de aura de benquerença, tristeza, alegria e desencanto em todas as criações, sem cair nunca nas sentidas queixas ou denúncia redundante, que o poeta sabe que na cadência dos meios tons, com uma envolvência um tanto filosófica, alcança mais fundo a alma do leitor e denuncia muito mais.
Se aqui temos um somatório de quadros da vida, dentro deles temos a riqueza do detalhe, o vocábulo e verso certos sem fugir da simplicidade, sem buscas de metáforas enganosas, perigosas e artificiais, e sem cair – o que é importante – na facilidade. Eis porque até nos poemas longos, como em Uma lembrança que sangra, histórico, dorido, pulsante, denunciante, fotográfico, social, finaliza-o notavelmente com um arremate, decantação do todo quase épico: “Hoje, é uma lembrança que ainda sangra.”, que dá título ao mesmo, que caminha do tempo histórico para a eternidade da arte criadora.
Livro que cala fundo no coração de qualquer leitor desse gênero literário de levitação cósmica. E mais: uma poesia andeja, que não gira em roldana estreita. Caminha numa rosa dos ventos.
Destaque às belas e oportunas ilustrações, em traços essenciais, do primitivismo ao expressionismo fugidio, contra-espelhos para obra de qualidade como esta". Caio Porfírio Carneiro

Antonio Mourão Cavalcante

Antonio Mourão Cavalcante, 60 anos, é médico cearense, com doutorado em Psiquiatria pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica) e doutorado em Antropologia pela Universidade de Lyon (França). Professor Titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Casado, tem três filhos.

"Quando conheci Antonio Mourão Cavalcante, ele ocupava o cargo de Pró-Reitor na Universidade Estadual do Ceará. A primeira poesia que ele me apresentou foi a Zilma, sua esposa. Depois conheci mais três: João Luiz, Maria Cecília e Maria Isabel, seus filhos. Então, o Mourão está sempre rondando poemas. Sua sogra, a `vó Bel´, era pura poesia!
O Tempo de Baile, seu livro de poemas, nos conduz a muitas delicadezas, algumas delas, permeando o presente de lembranças e vivências. Ao nos mostrar o salitre do cotidiano, finda nos indicando como ultrapassar as violações da vida.Em seus poema, Mourão ainda desvenda (sem propósito) o futuro distante de bulas e algumas métricas, contruídos a partir de certezas doces e/ou amargas. `na palma da mão, a cigana vê meu destino. Diz que esta risca forte, profunda, marca o tamanho da minha vida.´, diz um deles.
Talvez viver a vida sem seus `vincos´seja tarefa quase impossível. Alguns podem até rejeitá-los... Na poesia de Tempo de Baile, isso jamais ocorre, pois é certo nos depararmos com versos supreendentes e inusitados. `...o ponteiro dos minutos. Começou a vagar mais discretamente. Talvez viver a vida sem seus `vincos´seja tarefa quase impossível. Alguns podem até rejeitá-los... Na poesia de Tempo de Baile, isso jamais ocorre, pois é certo nos depararmos com versos supreendentes e inusitados. "... O ponteiro dos minutos,/Começou a vagar mais discretamente./Talvez para eu ir vendo,/Em cada momento,/As batidas da vida."
Há na poesia de Mourão, além de outras metáforas, um constante alimento: `...a tristeza em si, nada, Em nós, um misto de contemplação e soma.´". Gylmar Chaves (Escritor e Poeta)