Dados Técnicos

Nas Asas do Pavão Misterioso
Aroldo Camelo de Melo
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-1261-4
formato 14 x 21 - 160 páginas
1ª edição - 2008

Nas Asas do Pavão Misterioso
Lá, onde o poema é pó(len) e tudo que flutua é letra morta. O ignóbil é sagrado. Terra de obtusos. Ali toda linguagem é metálica, carregada, estéril. Espíritos vomitam bits e profetas
reverberam vozes cibernéticas na exaltação dos robôs. De soda cáustica é o cálice servido aos poetas. Lá, onde sensibilidade é artigo revogado, não frutifica aves sonhadoras. Quem canta dores e alegrias? Quem grita por socorro? Quem denuncia o estupro da palavra? Sob a égide dos andróides, o silêncio é a lei.
Aroldo Camelo de Melo

Hoje, um velho amigo pediu-me que escrevesse a orelha de seu livro de poesias. Máximo de vinte e uma linhas e mil e duzentos caracteres. É pouco quando se quer e se tem muito a dizer. Diante do desafio, façamos jus à honraria que nos foi concedida. Aroldo Camelo de Melo, formidável poeta e vibrante tribuno, veio de terras paraibanas, quiçá bafejado pelos eflúvios inspiradores de Augusto dos Anjos, José Lins do Rêgo e outros luminares da literatura brasileira, que encontra ali, nas terras do heróico NEGO, um nicho de esplendor e glórias perenes. O poeta humilde e sensível, que tenta desvendar através das palavras as insondáveis almas das coisas e dos seres, o tribuno que respira o ar das praças públicas, cenários da voz que brada contra as injustiças, mesmo que seja também a que clama nos desertos, o pai, o filho, o esposo, o cientista dos bytes, o professor, o ex-bancário e atual funcionário público, o amante das noites e das serestas, do fluir lento e preciso das palavras, que se encadeiam e magicamente formam o sentido de uma visão, de um lamento, de uma saudade, de uma tristeza, de uma alegria, de uma paixão, de um elo partido, enfim, é toda uma vida a desfilar pelas singelas páginas que se sucedem trazendo o deleite de uma ótima leitura e momentos de reflexão sobre o que somos e o que estamos a fazer aqui nesse mundo infinito de Deus, de tão múltiplas complexidades e tão poucas sensibilidades. Eis o poeta! José Eustáquio Valverde Morais