Dados Técnicos
O Fim da Noite - ou o Velório da Megera
José Álvaro Mesquita

Scortecci Editora
Romance
ISBN 978-85-366-1361-1
Formato 14 x 21 cm - 84 páginas
1ª edição - 2009
O Fim da Noite - ou o Velório da Megera
Este livro do qual um exemplar está em suas mãos, não é, como de pronto pode lamentavelmente ser notado, obra de um profissional de Letras, que tenha por uma de suas finalidades ser acrescentado a uma talvez numerosa produção literária, mas tão somente o relato de uma sucessão de singulares acontecimentos, caídos sobre um jovem imigrante que veio para o Brasil atraído pela possibilidade de neste país conseguir com seu trabalho e também com um pouco de sorte – ingrediente imprescindível para se ser bem sucedido em qualquer empreendimento planejado e executado por mãos humanas – vir a se tornar um capitalista dono de posses financeiras suficientes para causar inveja e deixar embasbacados seus compatriotas que tinham ficado em sua terra natal.
No Brasil dá inicio a sua vida de trabalho profissional, que segundo as leis vigentes, deveria ser remunerado, não digamos de forma exagerada, mas pelo menos de maneira digna a lhe permitir acompanhar e fazer parte das turmas de rapazes, que, moradores do mesmo bairro da cidade do Rio de Janeiro se tomaram seus companheiros e amigos.
O motivo do aparecimento deste livro foi o fato de seu tema consistir de acontecimentos raríssimos e até, pode-se afirmar, quase impossíveis de acontecer, ainda mais entre pessoas de razoável nível social.
Um rapaz sem que o tivesse percebido, tem sua morte decretada e levada até seu lado, mas sempre falhando em sua parte decisiva e final, fracassos motivados por circunstâncias que ficarão a critério de cada um julgar: uns atribuirão o malôgro no objetivo à inépcia de seus autores, outros dirão: a sorte nunca descuidou desse rapaz e também não faltará gente que tudo atribua à proteção do Alto.
Agora, como acima foi dito, o autor deste livro no campo das letras não era um profissional, teve necessidade de antes de dar inicio à parte principal, que é a donde lhe vem o título, fazer algum treinamento afim de comprovar se de fato havia nele a competência para tratar um assunto um tanto intrigante e complexo. Então começou por escrever algumas histórias que dele fazem parte e o completam e que, ao contrário do principal, são relatos de situações e casos banais, que podem acontecer a qualquer um enquanto andar palmilhando por este mundo.
Por último resta dizer que meu desejo é que a aquisição deste livro não seja uma advertência para qualquer leitor que o fez vir às suas mãos para passar seu tempo, ou colocá-lo em uma modesta – ou faustosa – biblioteca.
José Álvaro Mesquita
José Álvaro Mesquita vindo para o Brasil em 1940 nesse país permaneceu até maio de 1950, trabalhando no comércio e estudando à noite, conseguiu concluir uma fase de estudos que naquele tempo era chamada de curso ginasial. Volta então para sua terra natal onde ficou seis meses e em seguida retorna ao Brasil, onde passou seu tempo exercendo as mais diversas ocupações. Começa sua vida de trabalho profissional, como empregado de fábrica em uma indústria de plásticos de propriedade de dois irmãos seus conterrâneos. Trabalha nessa fábrica durante quatro anos e durante esse tempo economiza dinheiro suficiente para adquirir um táxi e vai dedicar-se ao transporte de passageiros, sendo que ao fim de três anos entra na sociedade de uma padaria onde fica por trinta dias, saindo em seguida com danosas consequências financeiras. Volta para o serviço de táxi no qual fica por dois anos e em seguida se faz sócio de um conterrâneo seu em uma pequena empresa de transportes, do onde sai ao fim de um ano e alguns meses. Retoma para a profissão de dirigir taxis e ao fim de três anos adquire uma mercearia em um dos chamados bairros nobres da zona sul da cidade de São Paulo, sendo que passado um ano e três meses a vende para o pai de uma naquele tempo muito badalada atriz de televisão, casada com um colega que ainda continua com algum (relativo ou enorme) sucesso, nesse tipo de informação e diversão popular.
Vendida a mercearia, movido pela ambição, com o dinheiro recebido  faz um péssimo negócio e se torna dono de uma pequena indústria, da qual passados três anos sai com sua vida financeira completamente arruinada. Volta a ser taxista durante um ano e depois vende o taxi e com o dinheiro proviniente de sua venda e, recorrendo a um empréstimo bancário, adquire um estabelecimento dedicado à comercialização de bebidas e gêneros alimentícios, onde volta a ser um comerciante de relativo sucesso.
Agora, já com bastantes anos em cima das costas, encerra suas carreiras de taxista, industrial fracassado e comerciante e passa seu tempo dedicado a exercer atividades comerciais de pouca ou nenhuma rentabilidade e assim permaneceu até que um dia o governo passou a lhe conceder um descanso remunerado.