Dados Técnicos
Os Versos que Te Fiz
ISBN 85-7372-751-9
Poesia - JS 3182
Formato 14 x 21 cm - 68 páginas
1ª Edição - Ano 2003
Os Versos que Te Fiz

O palmilhar deste poeta

Claro está que do livro anterior (Vozes, 1995) para este, houve uma notável evolução artística e formal nas criações poéticas de Willians Vieira Sales. Permanece o clima de solidão, marca maior da sua visão estética do mundo e de si mesmo. Um clima de solidão, todavia, que foge da passividade, e que, de alguma forma, transmuda-se em ampla abrangência de alcance crítico personalíssimo.
Esta, a diferença visual e primeira entre o livro anterior e o presente. A outra diferença é mais formal, porque a obra centra-se em torno do Amor, nas suas inquietações e buscas múltiplas. E o instigante é que, nestas variações poéticas, a solidão é irmã gêmea da tristeza, que não se traduz em sentidas queixas amorosas, o que poderia levar os sinais sensíveis poéticos à redundância.
Willians Vieira Sales alcança uma essencialidade criadora tão íntima e particular que, embora na dúvida, na afirmação e envolvência amorosa, no dar-se por inteiro à dor ou à tristeza, nunca se descaminha para a passividade, aguarda-se à espera da parte contrária. Isto é ditado pela sutileza e quase cintilância do verso, que, imediatamente, põe de pé um poeta ricamente afirmativo:

As saudades não me consolam / nas horas dolorosas / meus amigos, / velhos amigos, / as saudades não me consolam.
(11/02/94)

Eis a prova, onde exsurge muito mais a referida afirmação em dimensão filosófica. Muito mais poesia do que as perigosas lamentações. Assim Elaborando e direcionando as criações, elas adquirem uma beleza dorida muito mais palpitante.
Os exemplos seriam continuados. O poeta não tergiversa. Decanta cada instante, cada gota de suas poesias. O exemplo, a seguir, é quase mágico, porque transcende o metafórico:

Minha dor é mais terrível do / Que a solidão do meu corpo.
(18/09/93)

Ou:

Esqueci-me dentro do meu mundo / Navegando contra tuas águas
(19/10/95)

E por mais que o poeta palmilhe os caminhos e veredas do Amor, postra-se sempre suave: os poemas, muito bem elaborados, embora de datas variadas, levitam em meios-tons, muito embora as ênfases pouco vêm a relevo. Por serem assim, alcançam muito de perto aquela percepção filosófica referida.
É uma poesia comovedoramente simples, cinzelada em linguagem belamente apurada, até, em muitas passagens, com certo sabor clássico. Mas se é simples, não é fácil. E o lado formal prontamente aponta nesta direção: é um poeta digno.
Se em Vozes, Willians Vieira Sales já se apresentava poeta por inteiro, em Os versos que te fiz (onde até os dois poemas em inglês nada mudam as suas sensações primeiras, que vêm do fundo d'alma) ele é o mesmo pela linha estética que nascem das catarses interiores, e é outro pelas espiralações humaníssimas, líricas, de alcance emocional que palpita e seduz.


São Paulo, 17/09/2002
Caio Porfírio Carneiro

O notável destas poesias, numa visão global, é a comovência delas em versos simples, em estrofes instigantemente emotivas, vazadas em lampejos de meios-tons, que fulgem muito mais que a exaltação ou a eloqüência. O poeta é senhor daquela objetividade instantânea e muito sensível, que cala fundo, inapelavelmente, no coração do leitor. Tudo lhe emana de uma forte intuição poética pulsante. Estas criações, voltadas para o Amor, na sua dimensão totalizante, parte de um fulcro que é a sua visão solitária: a alma do poeta, que se irradia para a tristeza, a magia dorida, os apelos físicos, mas sempre tendo por sinal primeiro e último a beleza artística e a limpidez formal. Por tais méritos, este livro é quase uma oferenda de amor eterno ao eterno amor, universalizado pelo Amor maior, fruto e sopro da própria vida.

Caio Porfírio Carneiro

Willians Vieira Sales