Dados Técnicos
No Espelho Eu Sou Você
Diego Ivan Souza Adib

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-1520-2
Formato 14 X 21 cm 
140 páginas
1ª edição - 2009
No Espelho Eu Sou Você

Apocalipse 22:18-19

Este primeiro filho, feito em pleno gozo; com reação bem diferente de "Onã", meti-o em minha vida; muitos que se meteram nesta história, quis que eu o abortasse, disseram que nunca na vida teria futuro, não se desenvolveria sem a ajuda das pessoas; não teria alma e nem corpo; e que sendo fruto não produziria semente; e como pai eu devesse aposentar. Mesmo assim, jamais aceitei conselhos: comigo o carreguei, já que “omnia mea mecum porto”. E como "Gepeto", segui com esta gestação (que simboliza todo meu sonho) para ser gerado neste mundo e ser prova concreta que ele, um dia, sairia do ventre; passaria a existir para ser depois, um velho menino e não mais um indivíduo, para sempre, envelhecido no esquecimento. Sem ser um menino velho, veio já com barba, nutrido de experiência; não foi recebido com palmadas e sim com salva de palmas pelos mais descrentes; amamentei-o na fonte de todo o conhecimento. Por fim, ainda não sendo da minha alçada, agi como tal hipocampo que faz bem o papel materno; e assim foi nascendo com a minha imagem, e com ele também eu, quase morto no final; sendo esta minha biografia, já que sozinho consegui ser o meu obstetra: dando-lhe a luz, invocando-o a ponto de não mais voltar atrás; aliás, não importava o quanto custaria ter este nascimento, o primogênito, de todo jeito, viria (por meio de algum espírito, ou por outro fator que fosse, cumprir-se-ia a tal profecia), mesmo se dali eu voltasse à virgindade.

Vient  de  paraître

Nesta obra, o meu papel é segurar o leitor e falar do livro “com ele pela(s) orelha(s)” (ainda que eu cometa ambiguidade(s), meu erro é de "propózito"). Não sendo mais possível voltar atrás, ao começar pelo nome; pelo contrário, além de estar inicialmente do avesso, procuro nesta ordem, porém, com apoio da liberdade poética, mostrar-me autêntico, até que toda a realidade contenha, no fundo, um fundo falso. Além disso, também a evolução (mesmo que com isso eu venha piorando cada vez mais); também, buscando sempre musicar os versos, dar opções ao ledor, para que a leitura seja, pelo menos, prazerosa.

Variar temas, tentar se diferenciar ao fazer uso de humor, antítese, metalinguagem, surrealismo e ironia como instrumento crítico; aproximar a poesia do estilo prosaico, assumir um caráter de reflexão filosófica, inspirado, muitas vezes,  pela  vã  filosofia.

Até com a escrita parecendo automática, ocorrendo livre associação de idéias, algo ditado pela inspiração, como se não houvesse preocupação com a ordem e a lógica, a busca incessante de rimas, um método de pontuação estilístico, ou melhor, convincente, ainda que, por intenção, infrinjo as regras gramaticais, pretendo não fugir do fundamental; pela qual, tento em tudo reunir o útil ao agradável: já que além de agradável, isto parece ser o mais útil. Laus  Deo

Diego Ivan Souza Adib