Dados Técnicos
Duas Vagas
Paulo Tude
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-1595-0
Formato 14 X 21 cm 
100 páginas
1ª edição - 2009
Duas Vagas

Em Duas Vagas, o mais recente livro de poesias de Paulo Tude, três vertentes se apresentam ao leitor: o amor ideal e romântico, a saudade do passado e o encontro do poeta com a ideia da morte.

Se a poesia é, segundo alguns, "a emoção recolhida em tranquilidade", os poemas de seu livro mais recente representam a vivência dos últimos dez anos, em que se sucederam amores, perdas, a doença, encontros e desencontros, num constante refazimento de si mesmo, de procura e de significação, ao tumulto de emoções que precisam ser exorcizadas, através da poesia, permeada pelo amor de si, outros à mulher idealizada e aos demais, a beleza das coisas e da natureza e aos eventos que lhe sucederam, vale dizer: aquele "amor que não vê com os olhos, vê com a mente e por isso é alado: é cego e tão potente." (Shakespeare, Sonhos de uma noite de verão – ato I, cena I)

Essa busca de amor, de sentido, a necessidade de expressão ocorre num período histórico, denominado pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de mal-estar da pós-modernidade, tema sobre o qual escreveu vários livros, mostrando que o ser humano desprovido de domínio sobre a natureza e o bem-estar social, vive, hoje, em meio a uma ansiedade constante.

Temos medo de perder o emprego, de sermos aniquilados por um grande evento natural, da violência urbana, do terrorismo, de perder o amor do parceiro, de exclusão, de ficarmos para trás.

Por isso, vivemos dentro dos shoppings centers, de condomínios fechados e gradeados, de carros blindados com vidros escurecidos (O medo líquido).

Esses medos, que permeiam nossa atualidade, só podem ser combatidos pelo pensamento, como faz aquele sociólogo, pela ação constante ou, como optou Paulo Tude, por um amor incondicional.

A essa tarefa de buscador incansável, numa procura de si mesmo, dedica-se Paulo Tude, em seu livro de poesias, Duas Vagas, fazendo jus à saudação faustiana, que constitui a epígrafe desta apresentação, ao mesmo tempo benção e maldição, qual Juno de duas faces, aos que se dedicam à tarefa de buscar o impossível.

Paulo Tude