Dados Técnicos
1964: O DNA da Conspiração
Gastão Rúbio de Sá Weyne
Jônathas de Barros Nunes
Scortecci Editora
História
ISBN 978-85-366-2753-3
Formato 16 x 23 cm
472 páginas
1ª edição - 2012
1964: O DNA da Conspiração
1964: O DNA DA CONSPIRAÇÃO nasceu da ideia de dois oficiais da reserva do Exército Brasileiro que vivenciaram sofrimentos com a implantação da ditadura militar de 1964, consoante fatos apresentados e discutidos nesta obra, pagaram alto preço por suas atitudes e se sentem de consciência tranquila com a posição assumida. Oriundos da Turma Monte Castelo, da Academia Militar das Agulhas Negras - AMAN, de dezembro de 1956, os autores são egressos da Arma de Artilharia e, em 1964, eram Capitães.

Um deles, o então Capitão Jônathas de Barros Nunes foi reformado compulsoriamente por ato do Presidente Castelo Branco, de 7 de outubro de 1964, no apagar das luzes do Ato Institucional n°1, juntamente com outros quatrocentos e noventa e quatro militares; o outro, na época Capitão Gastão Rúbio de Sá Weyne, não foi atingido por Ato Institucional, tendo sido conduzido, no dia 3 de abril de 1964, sob escolta, à Fortaleza de Santa Cruz-RJ, e recolhido, incomunicável, durante 36 dias, a um navio-presídio da Marinha de Guerra (Princesa Leopoldina), fundeado na Baía de Guanabara. Outras prisões, posteriormente, lhe foram impostas, somando-se mais de 80 dias de privação de liberdade. Não obstante as agruras vividas, os autores deste livro dedicaram a maior parte de seu tempo a atividades de ensino e pesquisa. O Coronel Jônatas de Barros Nunes é PhD em Física pela Universidade de Londres, Advogado e Professor Titular da Universidade Federal do Piauí, tendo exercido a Reitoria da Universidade Estadual do Piauí - UESP por sete anos, e ex-Deputado Federal. O Tenente-Coronel Gastão Rúbio de Sá Weyne é Professor Associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Advogado e Doutor em Direito pela Faculdade de Direito da USP, Pós-Doutorado em Engenharia Química pelo University College de Londres, tendo sido Diretor da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie.

O brilhante jornalista ELIO GASPARI percorreu boa parte do labirinto da vida castrense. Ao dissecar fatos, aspectos e situações vividas nessa comunidade, refere-se com propriedade aos dois andares: o de cima e o de baixo. Os autores deste livro, jovens oficiais subalternos, compunham um segmento importante do “andar de baixo”. Eram jovens tenentes e capitães, voltados inteiramente para atividades profissionais, ordem unida, preparo físico da tropa, instrução militar, adestramento da tropa, exercícios militares, biodinâmica pessoal, familiarização com os regulamentos, legislação e procedimentos da rotina castrense nos manuais militares. A política passava ao longo e ao largo de suas preocupações imediatas. Havia exceções, raríssimas, como a de nosso colega de turma, tenente de cavalaria Heitor Aquino Ferreira. Heitor aliou-se, desde segundo-tenente, à atividade conspiratória de Golbery com o qual trabalhou até o falecimento deste.

No andar de cima, ao contrário do andar de baixo, conspirava-se quase abertamente e, por incrível que possa parecer, conspirava-se oficialmente.  No andar de baixo cumpriam-se as ordens do “andar de cima”. Havia se desenvolvido há décadas a ideia de que pensar e decidir era atribuição do andar de cima; executar era atribuição do andar de baixo. No entanto, para quem conhecia de perto o dia a dia do andar de baixo, percebia-se que se desenvolvera em pouco tempo, nesse andar, ao contrário do andar de cima, um clima de euforia coletiva. A presença, no andar de cima, do General Lott no Ministério da Guerra, de agosto de 1954 a março de 1960, havia espalhado “brasa” no andar de baixo, com a política de valorização do quadro de subtenentes e sargentos, as novas oportunidades de acesso ao Quadro de Oficiais da Ativa, QOA, QOE, e outras vantagens. A popularidade do General Lott no andar de baixo, entre subtenentes e sargentos, era exponencial.

Para os sargentos, Lott era “o cara”. Na contramão, o andar de cima passou a ter noites de insônia com essa influência avassaladora do General Lott no andar de baixo. O espírito legalista de Lott “contaminara” o andar de baixo através dos sargentos. Talvez confiando nessa realidade, a inércia militar do esquema de segurança do Governo Goulart tornou-se proverbial. E cometeu ainda grave equívoco, ao tentar contato com o andar de baixo, descartando o andar de cima. A figura histórica do General Lott e seus seguidores ocupava lugar de relevo no andar de cima. Um simples apelo ao Marechal, e ele, com a liderança de sua presença no andar de cima, e a influência avassaladora no andar de baixo, teria evitado, seguramente, a tragédia de 64. Este livro mostra a agonia do regime, decorrente da conspiração reincidente e exibe fragmentos da personalidade de inúmeros conspiradores. Este livro, além disso, representa também um brado de ALERTA. Em 1964, os segmentos amplamente majoritários das Forças Armadas do Brasil foram virtualmente surpreendidos por numeroso grupo de generais e oficiais superiores que renegando a disciplina e a hierarquia, valores perenes da Instituição militar, passaram a pisotear de forma cruel, sistemática e repugnante, o modelo de civilização ocidental e cristã  no qual nossos avós nos criaram, e submeteram o Brasil a 21 anos de Ditadura fardada.

Gastão Rúbio de Sá Weyne / Jônathas de Barros Nunes