Dados Técnicos
Amor do Tempo Perdido
ISBN 85-7372-000-0
Poesia - JS 2163
Formato 14 x 20,7 cm - 68 páginas
1ª Edição - Ano 1996

Disponível para venda na Livraria Asabeça, Rua Dep. Lacerda Franco, 187, Pinheiros, São Paulo, SP, CEP 05418-000, telefone (11) 3031-2298 ou na Livraria Virtual Asabeça
Amor do Tempo Perdido
(...) O Amor, na sua essencialidade vivificadora, poreja este livro, cantado que é em dimensão de generosidade, unção eterna, integração total, sem descaminhos para sentidas queixas. Eis porque, em certos momentos, alguns dos poetas bordejam a exaltação, detendo-se porém no momento certo, o que lhes dá instigante originalidade criadora...
...Esse versejar liberto de amarras se dá a impressão primeira de uma certa fugacidade, de algo fugidio, mostra, por outro lado, que o autor possui seus fulcros próprios, porque, ao mesmo tempo e em cada poema, o detalhe criador dá-lhe um sentido de realidade palpável...
...Vê-se, ainda, que o poeta mostra-se perplexo diante de si mesmo, e o poema Síndrome da coisa perdida é um exemplo. Nestes momentos a solidão faz-se mais presente.
Temos ainda aqui o social e a denúncia. O poeta, quer em poemas longos ou pequenos, gira a sua grua para a observação gritante, como está tão vívida e doída em Aos que envelhecem sem amor.
É que o poeta, se vê o amor como unção de vida, vê igualmente os desconcertos do mundo. Se conhece o caminho lírico da beleza e do Amor, conhece, com redobrada exaltação, as veredas ásperas das misérias humanas. Vê a alma e vê o mundo, vê as benquerenças e desesperos da vida. E a sua linguagem poética, se é lírica ao correr da obra, muda de entonação diante dessa ambivalência(...)
Caio Porfírio Carneiro
Francisco Carlos Camargo

Quando o editor me disse que precisava de uma apresentação do autor, fiquei um tanto preocupado. Não é fácil escrever sobre o professor Francisco Carlos Camargo. Mesmo porque, a respeito de um homem como ele, poucas linhas podem não representá-lo devidamente e corremos o duplo risco: tanto minha tarefa quanto a imagem dele poderiam ficar comprometidas. Eu sei que os leitores têm dúvidas e querem resolve-las: se ele é realmente de Itapetininga (SP); se o mestre em filosofia das ciências humanas teria coragem de publicar um livreto de poesias. Se esse grande e frio crítico da política nacional teria realmente a ousadia de, em algum momento, afastar-se dos crivos científico- racionais que o determinaram até hoje, para mostrar frases poéticas sobre o amor. Ao depararem com esse livro, é claro que crescem as incertezas: poeta e filósofo seriam a mesma pessoa? Aquele baixinho teria deixado escapar sua ironia filosófica e se curvado aos encantos dionisíacos do delírio poético? Tudo isso parece incrível. Confesso que eu também tive dúvidas, tentei esclarece-las. Passei horas comparando seus versos com seus escritos filosóficos; parecem ser duas pessoas distintas. Entretanto, não fosse eu o intermediário entre um e outro e ser os dois ao mesmo tempo, diria: cada um é sem dúvida uma pessoa diferente. Para que o leitor sinta-se esclarecido , o poeta Francisco Carlos Camargo, guardada as devidas proporções, é o oposto de Fernando Pessoa, que tinha três heterônimos, pelo fato de ter nascido em gêmeos e ter seu ascendente em escorpião; nosso amigo é de escorpião com ascendente em gêmeos (apesar de ser cético e não acreditar em horóscopo). Talvez seja isso que permita a ele esse triplo desdobramento comentador de si mesmo, poeta e filósofo.