Dados Técnicos
Será Que fui Eu
ISBN 85-366-0252-X
Memórias Autobiográficas - JS 3684
Formato 14 x 21 cm - 076 páginas
1ª Edição - Ano 2005
Será que Fui Eu

Nessas páginas delicadas de um lirismo profundo, iremos encontrar, nas entrelinhas, a face obscura do nacional desenvolvimentismo, contado por quem viveu a parte silenciada da história. Pode-se ter idéia do imenso valor sociológico do relato, mas seu valor humano ultrapassa qualquer consideração acadêmica. Aquele que proceder a leitura com atenção irá encontrar por entre vírgulas e em cada pausa a História do país – a oficial – só que do ângulo de alguém que possui apenas a primeira série do antigo primário, por ter de trabalhar desde criança, ou seja, de quem não participou, a rigor, dessa história. Acompanhamos a narrativa de um fantasma, e nela encontramos o declínio do baronato do café, o rápido desenvolvimento de São Paulo, a vida cultural dos pobres, a ascensão da cultura de massa. Uma micro história dos negros brasileiros, sua segregação geográfica, a precariedade e o descaso da saúde (cujo maior exemplo provém da própria autora, com seu caso feito de desacertos e acasos, cuja arbitrariedade impressiona); os improvisos necessários à sobrevivência; o lado obscuro da outrora festejada malandragem nacional. A exploração dos pobres pelos ricos (e também pelos outros pobres) – o trabalho escravo ou semi: (pois naquele tempo era muito comum as patroas contratarem empregadas e levarem para trabalhar no Rio de Janeiro). Uma verdadeira lição para aqueles que não acreditam na existência de Racismo no Brasil. Mas como também não o poderia deixar de ser, é também uma história de esperança, coragem e amizades verdadeiras. Uma história contada com o lirismo de quem não pretende escrever um best-seller, mas tão somente rememorar sua vivência. Entretanto, esta não poderia deixar de ser a história de uma mulher marcada (a expressão é da própria autora). Uma história feita de supressões, vazios e violência marcando presença em cada vírgula. Mas principalmente, é a história da minha avó Alzira, uma mulher que sobreviveu para iluminar um pouco mais a compreensão do que é o Brasil e do que é a vida. Obrigado minha avó. Do teu neto que muito te ama. Do tem neto que muito te ama.
Acauam Silvério de Oliveira

Alzira Silvéria