Dados Técnicos
O Sentido Recriado
ISBN 85-366-0380-1
Crítica Literária - JS 3798/1
Formato 14 x 21 cm - 280 páginas
1ª Edição - Ano 2005

Disponível para venda na Livraria Asabeça, Rua Dep. Lacerda Franco, 187, Pinheiros, São Paulo, SP, CEP 05418-000, telefone (11) 3031-2298 ou na Livraria Virtual Asabeça
O Sentido Recriado

O sentido recriado, de Hilda Gouveia de Oliveira (São Paulo: Scortecci, 2005). É u m volume que reúne oito ensaios sobre o gênero romance. No primeiro, “ O romance: morte ou metamorfose”, estuda-se a evolução do gênero, mostrando a autora como, no correr do tempo, o romance admitiu técnicas e formas bem diversas, refletindo as épocas e as escolas.Desse modo, tornou-se um veículo que “reflete a natureza física e psicológica do ser humano universal e particular” (p.25), ainda que bem enraizado na terra que o produziu. A partir daí, a autora analisa determinados romances seminais. Em “Ira, anomalia e apocalipse”, estuda as Viagens de Gulliver (1726), de Jonathan Swift, livro muito pessimista, em que é decretada a degenerescência progressiva do homem e da civilização humana, pois Swift chega a contrapor os yahoos ( humanos bestializados) à raça admirável dos houynhnhms, sábios cavalos filósofos. No ensaio “Caos e harmonia”, analisa Tristram Shandy (1760-1767), de Laurence Sterne, mostrando que o romance, com sua irônia e criativa busca do “novo”, sua versatilidade e artifícios narrativos inusitados, é ainda atual hoje, sobretudo em termos estruturais, tendo exercido grande influência sobre um James Joyce, p. ex., além do nosso Machado de Assis. Em “O romance inglês do século XIX e a  “questão da mulher”, assinala como escritores ingleses daquele século trataram o tema da mulher, em geral confinada ao lar e à posição de bibelô do marido. Estuda especialmente os romances de Jane Austen (Orgulho e preconceito), Charlotte Brontë (Jane Eyre; O professor), Emily Brontë (Morro dos ventos uivantes), Charles Dickens ( David Copperfield) e o Adam Bede de George Eliot (pseudônimo de Mary Ann Evans). Ao passo que Charlotte Bronë era uma lutadora que reivindicava a liberdade feminina, Austen e Emily tratavam o assunto com benevolência, quando não ignoravam, enquanto Dickens compartilhava a visão preconceituosa da época. Em “Ambição e poder na ficção de José de Alencar” são analisadas esses dois sentimentos nos personagens, sobretudo em d. Antônio de Mariz (O Guarani), e o Barão da Espera (O tronco do ipê). Em “O jovem Stephen Dedalus”, vemos como Joyce utilizou-se da linguagem para transcriar formas vocabulares e dar realce ao que fosse diferente do comum, já abrindo a trilha que levaria a Ulysses e ao Finnengans wake. No ensaio “O universo simbólico em romances de William Faulkner”, estuda-se o valor e a importância do simbólico dos personagens em The sound and the fury e light in August. Finalmente, “Em cem anos de solidão...milênios”, a autora mostra como, no romance de Gabriel García Márquez, “as sucessivas imagens de fracasso e de fluidez que atravessam a saga dos Buendías demonstram a inglória e insignificante história das gerações humanas...” (p.253). O sentido recriado é de leitura atraente e enriquece o nosso conhecimento humano e literário.

Maria Hilda Xavier Gouveia de Oliveira

Maria Hilda Xavier Gouveia de Oliveira é Mestre em Literatura Inglesa, pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) com Doutorado em Teoria Literária, pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ).