PASSOS TRÔPEGOS / Daniel Gomes Corrêa

Lamentar a ausência do Daniel seria legítimo se não fosse a força da sua poesia. Tive o privilégio de conhecê-lo em vida e na sua presença ler alguns manuscritos que mantinha reclusos na estante da sala. “Enquanto tu dormes, enquanto não durmo...” é um trecho do primeiro texto que li de sua autoria. Percebi no poema toda densidade que norteia seus escritos. Versa sobre os amores e tragédias com verdade, revelando que talvez seja a realidade de todos nós.

Daniel utilizava-se de metáforas com a mesma facilidade que uma criança brinca. Entre métricas e escansões externou pensamentos de liberdade que por vezes revelavam a sua angústia. Seus olhos tristes demonstravam o isolamento daquele que via na hipocrisia social o seu grande deserto. Encontrou nos livros os grandes companheiros de caminhada, e no papel o seu melhor ouvinte. Acalmou sua solidão intelectual, vivida nos últimos anos de vida, sobre a obra de Dostoiévski, Goethe, Homero e tantos outros. Os textos aqui reunidos nos dão a oportunidade de conhecer um grande poeta e sentir que também não estamos sozinhos.
João Carlos Marcon

O lado avesso do meu caderno
é o lado avesso da minha vida.
Ao ler, não pense que é corrompida
essa poesia imaginária,
pois que traduz só devaneios,
só sonhos loucos, loucas quimeras.
É o lado torto da minha vida,
sem esperanças, sem primaveras!
Daniel Gomes Corrêa

Daniel Gomes Corrêa nasceu em 31 de outubro de 1945, em Sorocaba, no interior de São Paulo. Único homem de uma família de cinco filhos, foi criado dentro de rígida tradição religiosa. No entanto, ele mesmo nunca se prendeu aos regramentos sociais, homem à frente de seu tempo que era. Viveu intensamente seus 67 anos, casando-se por duas vezes. Com a esposa Maria José Palma Gomes Corrêa teve duas filhas, Maria Daniele e Maria Isabelle. Apesar da separação depois de mais de 30 anos de convivência, a união do casal permaneceu insolúvel, mesmo nas distâncias que a vida impõe. Daniel era um homem sensível, tímido e miúdo. Era um leitor obstinado e seu conhecimento de mundo era vasto. Conhecia literatura, artes, história e filosofia como ninguém, mas foi escrevendo poemas e prosas poéticas que ele se firmou como escritor. Pensava o mundo sob a ótica das metáforas que criava. Na vida profissional, foi funcionário público do IBGE durante mais de vinte anos, aposentando-se em 1997. Nas diversas cidades em que atuou dentro do Paraná, sempre teve o reconhecimento dos seus colegas, assumindo quase sempre a chefia das agências para as quais era designado. Homem organizado, a estatística sempre foi sua paixão. Morou em diversas cidades litorâneas e tinha o sonho de viver no Nordeste brasileiro. Foi em Jaguariaíva, no entanto, que o poeta encontrou sua morada definitiva, por desejo último de ser enterrado. Infelizmente, quando adoeceu em 2009, perdeu seu ânimo de vida e acabou entregando-se à tristeza que consumiu seu corpo frágil e seus pensamentos tão angustiantes. Morreu no carnaval de 2013, às 22h40 do dia 10 de fevereiro. A madrugada que sucedeu sua morte foi de tempestades lancinantes. A chuva pareceu levar também a nossa partida, e o pesar nunca será reconfortado sem a sua presença.

Serviço:

Passos Trôpegos
Daniel Gomes Corrêa

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-4157-7
Formato 14 x 21 cm 
60 páginas
1ª edição - 2015

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