COISA PERDIDA / Adroaldo Mangueira Bastos

A luta contra a seca sempre foi uma sina do sertanejo. O céu azul cristalino sempre foi visto como um problema. A falta de água sempre denuncia uma calamidade. Mas e os homens? Que calamidades estão dentro de cada um e em suas ações?... Os contos Coisa Perdida e Os Mortos-Vivos relatam fatos destes sobreviventes que são muitos e estão em toda parte. São gritos ou choros enviados pelos ventos, quando os olhos que veem são indiferentes e quem ouve os ignora. Mas não é só isso, existem outras histórias e não reparem se em algumas houver destroços humanos.

Alguns personagens são de carne e osso, derramam suas neuroses para um fundo escuro e se dizem normais vivendo no meio da sociedade. É assim nos contos: Desconhecido, Eu Sou Você ou Vocês e Sobras... O uniforme, a aparente calma está cá fora naquilo que se vê, pois o ser humano é insondável, poço profundo com qualquer tipo de coisa dentro. Enfim, não quero contar tudo aqui. Existe muito para ser descoberto, é preciso ir à busca e há outros contos arrebatadores. Todos eles estão a sua espera.

Este é um livro de contos: mire e veja que, embora os fatos sejam relatados com personagens regionais, os acontecimentos são vivenciados em um mundo não mais restrito, pois tudo hoje se universaliza numa só aldeia. E como estamos no sertão, nesta parte onde se pensa até entre os seus moradores que a caatinga é um bioma sem muita serventia... É pobre e como o próprio nome já traduz: mata branca, onde tudo parece morto. E para o homem que faz da natureza somente uma atividade lucrativa. Você verá o invisível. A natureza é um organismo vivo. Somos parte e não podemos destruir, como no conto: A Mata. Mas é claro que histórias são feitas de pessoas que podem supor as vertentes de valentia em Belenzinho e o nascimento da diversidade do gênero humano em Entre Dois Climas, da conversa com gosto na boca, inesquecível, de Zé Branco e João Vieira, que não aposentaram sua sabedoria. E quem pode desdizer o conto Política, em que a revolta contra os políticos dita por um personagem chega à conclusão de que o povo é o espelho para os eleitos? Enfim, chegue a sua conclusão como chegou dona Cleusa Moreira em Calamidades: “Calamidade é da gente. Miséria é da gente! O mundo é bom sem nossos desgovernos de querer arredondar nossas necessidades”.

Adroaldo Mangueira Bastos nasceu em 1970. É baiano nascido e criado no semiárido nordestino, onde vive até hoje. Este é seu primeiro livro, com gosto e instinto literários maduros.

Serviço:

Coisa Perdida
Adroaldo Mangueira Bastos
Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-5076-0
Formato 14 x 21 cm 
108 páginas
1ª edição - 2017

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