MEUS DIAS IMEMORÁVEIS / Dias de Cordel

Escrever memórias não significa apenas relembrar o tempo que continua sendo o mesmo e eu passando através dele. Todo mundo esquece alguma coisa, quando escreve memórias. Vamos passando através do tempo que, quer queiram ou não, vai continuar por aqui. Nós é que estamos passando, 'caminhando' para transpor a 'divisória' desse mesmo tempo que aqui vai ficando. Divisória aqui, quer dizer morte ou a porta de passagem para o mundo do Além, com escala no 'sumitério', que é lugar de sumir. Isso não é saudosismo porque as frustações podem continuar e até se perpetuarem. Não há quem sinta saudade de coisas ruins. Talvez o leitor não queira me acompanhar nessa viagem 'indigesta', ao mundo do Além. Qualquer uma caminhada tem acidentes de percurso. Alguém culpa o destino mas ele nada tem a ver com isso.

Ficção de vida

Fiz da vida uma ficção
Que ninguém aprovaria
E o tempo foi contramão
De tudo que eu mais queria
Visto que na última etapa
Errei, de novo, a ‘caçapa’
Sendo a última, que eu teria...

Não sei se escrever compensa
Meu seguinte amanhecer
Pois com tanta desavença
Haja tempo pra esquecer
A vida que eu, algum dia
Quisera, com primazia
Se alguém me desse o prazer...

Escrevo, por escrever
E para esquecer a morte
Pois quero mais é viver
Mesmo sem ter muita sorte
Mas que a vida, de antemão,
Não seja apenas ficção
Desse jeito e sem ‘suporte’...

O valor de um quadril

Sei que ele é fundamental
E embeleza uma mulher
Preferência nacional?
Dizem, por aí, que é
Não sei se é mais importante
Que o caráter ‘comandante’
Das ações de uma mulher.

Um dote físico ele é,
Sem dúvida, primordial
Porque sem ele a mulher
Não vai ser tão sensual
Sei que ele é um complemento
Da beleza, em movimento,
Por si só, sensacional.

Ninguém contesta o ‘poder’
Que é destaque nesse ‘verso’
Completando o que há de ser,
Sem nada de controverso,
Pois conforme a estatura
Deixa a mulher mais segura
No domínio do Universo.

Poeira Incolor

Se empoeirar minha cara
Minimizo a situação
Porque não é coisa rara
Digna de incompreensão
E um dia vão me enterrar,
Claro, pra me transformar
Em poeira do sertão.

Se a poeira for vermelha,
Cinzenta ou descolorada
Nada muda e ela ‘espelha’
Minha ‘certeza enrugada’
Dispensando a distinção
Pois qualquer coloração
Já não me elitiza, em nada.

Por isso eu quero deixar
De lado, todo eufemismo
Porque se a mídia ‘encampar’
Aumenta meu cepticismo
Podendo haver ‘desacato’
E quem vai pagar o pato?
Sou eu, com mais prejuízo.

Serviço:

Meus Dias Imemoráveis
Meu Destino Era Apanhar/ Como Um Saco de Pancada
Quem Queria Me Espancar/ Não se Detinha, Por Nada
Só que o 'Bom', Menos Fraterno,/ Foi Mais Cedo Para o Inferno
Levar Troco, de Estocada...
Dias de Cordel
Scortecci Editora
Cordel
ISBN 978-85-366-5785-1
Formato 14 x 21 cm 
64 páginas
1ª edição - 2018

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