PASSOS NA ETERNIDADE / Norália de Mello Castro

“A imaginação é a visão da alma,” já dizia Joseph Joubert. E como é bem dotada de imaginação, a escritora Norália de Mello Castro! Em cada conto que escreve, a gente sente sua capacidade de metamorfosear a matéria prima dos seus contos – o realismo duro, pungente, impiedoso, em algo carregado de lirismo!

Seu conto Elefantismo é bem o exemplo disso. A moça deformada pela doença, que lhe trás desproporções corporais descomunais, sendo vista por ela através da famosa escultura, posta em frente do Banco do Brasil, em Belo Horizonte. Em Regresso à Rue Varenne, 54, enquanto o relógio bate, ela se transporta para aquela rua, em Paris, onde com sua imaginação galopante, relata uma instigante história de amor, ao visitar a casa onde estão as esculturas de Rodin, história esta que enfoca o tempo e o seu inexorável caminhar: “As sutilezas do ontem estão projetadas aqui nessa energia que começou a ser desprendida dos relógios”.

Em “As laranjas que voam”, a autora viaja neste mesmo tempo e revive o colégio onde estudou, com riqueza de detalhes, quando de repente surge um fantasma, uma amiga daquela época, que insiste em revê–la. Aí está novamente o elemento surpresa, que nos faz viajar do passado para um presente cheio de indagações. A ludicidade no arremesso das laranjas, torna–se, então, pano de fundo para uma realidade nua e crua. Daí por diante em outros contos e crônicas mais ela se mostra versátil e surpreendente!

Gosto de ver como a escritora cria uma sucessão de episódios em que busca, nos seus personagens, a fragilidade e o desafio do ser humano, em suas crises existenciais. São estas figuras que vêm do inconsciente, com caráter verossímil, algumas com dificuldades de expressar-se, que seduzem o leitor. As sutis pinceladas de erotismo enriquecem ainda mais o texto, deixando transparecer a velha ânsia de amar e ser amado neste mundo cheio de frustrações e desafios.

Norália, apesar do seu estilo subjetivista, domina a arte de escrever, conseguindo traçar um perfil nítido de seus personagens, não rompendo o compromisso com a clareza. São contos que nos levam à reflexão e, muitas vezes, à evocação de fatos da nossa vida, que foram reproduzidos em seus textos. É muito prazeroso ler estes contos e crônicas, quando sentimos que foram escritos com agudeza de inteligência e muita sensibilidade.
Maria de Jesus Fortuna

Norália de Mello Castro é mineira de Belo Horizonte. Ama ler e escrever: hábitos que foram e são rotina de vida. Mas algo a incomodava ainda: com alguns arroubos na  literatura, ela continuava sendo uma escritora de gaveta. Como assistente social aposentada, tinha todo o tempo do mundo, mas lhe faltava algo que a impulsionasse. Descobriu recentemente a REBRA. E, todo um estímulo brotou. Tem publicado "Rede do Pescador", prêmio do clube do livro de l987; "Passos na Eternidade" e outros contos, inédito, prêmio gralha azul, de curitiba, em l987; "Fios de Prata", ou a história do medalhão azul, romance, menção honrosa no concurso Cidade de Belo Horizonte, l988; participação na Antologia Novos Contistas Mineiros, de l988. Após esses prêmios, continuou lendo e escrevendo, e guardando tudo, até 2009, quando descobriu a Rebra. Se entusiasmou de tal forma que voltou a escrever intensamente, mas agora, com o propósito de mostrar o que tem escrito. Não era possível continuar em gavetas, tendo tantas coisas escritas: contos, poesias, artigos e pensamentos... tanta coisa assim nas gavetas, lhe parece até um crime. Assim, participa da Antologia da Rebra de 2010 – Show de Talentos em Prosa e Verso. E foi publicado o livro "Apenas Viva" - contos e crônicas, pela Scortecci / Rebra, 2010.

Serviço:

Passos na Eternidade
Norália de Mello Castro
Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-1866-1
Formato 14 x 21 cm
80 páginas
1ª edição - 2010

Mais informações:

Catálogo Virtual de Publicações

Para comprar este livro verifique na Livraria e Loja Virtual Asabeça se a obra está disponível para comercialização.

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home