A DIVERSIDADE LINGUÍSTICA ENTRE POLICIAIS MILITARES E BANDIDOS / Antonio Monteiro

Alguns falantes da língua portuguesa, nos mais diversos rincões do Brasil, utilizam uma linguagem não padrão no âmbito de sua comunidade, tanto quanto os policiais militares e bandidos. O interessante é que essa gama da sociedade sofre do mesmo preconceito linguístico!
Antonio Monteiro

Raio-x de um bandido: a linguagem do malandro brasileiro.
Na década de 50, o malandro carioca Zé da Ilha prestou o seguinte depoimento à polícia:
“Seu doutor, o patuá é o seguinte: depois de um gelo da coitadinha resolvi esquinar e caçar uma outra cabrocha que preparasse a marmita e amarrotasse o meu linho no sabão. Quando bordejava pelas vias, abasteci a caveira e troquei por centavos um embrulhador. Quando então vi as novas do embrulhador, plantado com um poste bem na quebrada da rua, veio uma paraquedas se abrindo, eu dei a dica, ela bolou, eu fiz a pista, colei; solei, ela aí bronqueou, eu chutei, bronqueou mas foi na despista, porque, muito vivaldina, tinha se adernado e visto que o cargueiro estava lhe comboiando. Morando na jogada, o Zezinho aqui ficou ao largo e viu quando o cargueiro jogou a amarração, dando a maior sugesta na recortada. Manobrei e procurei engrupir o pagante, mas, sem esperar, recebi um cataplum no pé do ouvido. Aí dei-lhe um bico com o pisante na altura da dobradiça, uma muqueada nos mordedores e taquei-lhe os dois pés na caixa de mudança, pondo-o por terra. Ele se coçou, sacou a máquina e queimou duas espoletas. Papai, muito esperto, virou pulga e fez a duquerque, pois o vermelho não combina com a cor do meu linho. Durante o boogi, uns e outros me disseram que o sueco era tira e que iria me fechar o paletó. Não tenho vocação para presunto e corri. Peguei uma borracha grande e saltei no fim do carretel, bem no vazio da Lapa, precisamente às 15 para a cor da rosa. Como desde a matina não tinha engolido a gordura, o roque do meu pandeiro estava sugerindo sarro. Entrei no China-pau e pedi um boi a Mossoró com confete de casamento e uma barriguda bem morta. Engoli a gororoba e como o meu era nenhum, pedi ao caixa pra botar na pindura que depois eu iria esquentar aquela fria”.

Antonio Monteiro é Segundo-Tenente da Reserva Remunerada da Polícia Militar do ex-território federal de Rondônia. Soldado e sargento na Polícia Militar da Bahia, em 1977 foi convidado para integrar a mais nova Polícia Militar do Brasil. Trabalhou ao todo durante 32 anos. Na reserva teve a honra de ser reconvocado para trabalhar no Sistema Penitenciário do Estado de Rondônia, atuando em três presídios e na Colônia Agrícola Penal por dois anos consecutivos. Sua atuação no sistema penitenciário lhe rendeu um livro: 620 gírias e frases utilizadas por apenados nas cadeias brasileiras, publicado pela Editora da Universidade Federal de Rondônia (EDUFRO) em 2006. É graduado em Letras (Português) e Literaturas pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em 2002, e pós-graduado em Leitura e Produção de Texto pelo Centro Acadêmico Jorge Amado (UNIJORGE), e Mestrando em Educação pela Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER). Concluiu com êxito os cursos de Questões Práticas do Direito Autoral e Lei do Livro, em 2008, e A Arte de Escrever, Publicar e Comercializar o Produto Livro, em 2013, ambos na Escola do Escritor, em São Paulo (SP). Publicou dezesseis livros e participou de doze antologias em editoras do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Rondônia. Em Queimadas (BA), sua cidade natal, foi agraciado com a Medalha de Honra ao Mérito Poeta Nonato Marques, pela Câmara de Vereadores, em 2006.
Contatos:
monteiroantonio82@yahoo.com.br

Serviço:

A Diversidade Linguística Entre Policiais Militares e Bandidos
Antonio Monteiro
Scortecci Editora
Linguagem
ISBN 978-85-366-3164-6
Formato 14 x 21 cm
208 páginas
1ª edição - 2013

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