CAATINGA / Vicente Ferreira Rodrigues

Livro de contos com 18 histórias fictícias que tem como cenário a região de Taperoá PB, a terra de Ariano Suassuna, com suas coisas e sua gente. Um lugar onde tudo pode acontecer, onde mentira vira verdade, onde uiva o lobisomem nas noites de lua cheia e onde cada pessoa tem uma história digna de registro que pode enriquecer as páginas de um livro.

O livro Caatinga – coisas e causos tem os pés firmados no Cariri paraibano, uma das regiões mais secas do Nordeste brasileiro, lugar em que o autor nasceu e se criou até mudar-se para o Rio de Janeiro. Ali ele conviveu com gente idosa, com vaqueiros e peões e, principalmente, com seu tio, Quinca Onça, um velho boêmio das catingas, pescador, caçador e bom contador de histórias. Naquela época, o Nordeste era pouco desenvolvido e havia muito mais carências do que hoje. A vida era rotineira e as pessoas conviviam por todo o tempo com a mesma gente, os mesmos hábitos e costumes e as mesmas coisas.

Sem luz elétrica, dormia-se cedo na zona rural, mas havia um curto espaço de tempo entre o anoitecer e o deitar-se em que se conversava muito. Com a família reunida em torno da lamparina, eram narradas as tarefas diárias e as histórias do passado. E, por falta de novidades, os causos eram reprisados por tantas vezes que ficavam gravados na memória.

A leitura a que se tinha acesso mais facilmente era a de cordel, por meio de folhetos que eram comprados nas feiras a preço barato. Narrativas apoteóticas de heróis, histórias de amores proibidos, das batalhas contra o cangaço, da luta entre Deus e o diabo e do flagelo das secas recorrentes que todos conheciam. O autor, criado nessas condições, foi habilitado, sem precisar forçar sua criatividade, a desenvolver narrativas com graça e bom gosto, o que se pode verificar lendo este livro.

O autor deste livro é paraibano nascido em Taperoá, uma das regiões mais áridas do Polígono das Secas. Sua escolaridade resume-se às poucas aulas que teve, quando criança, com um mestre-escola sem licenciatura que desburrava meninos em suas próprias casas. Sua infância e puberdade foram vividas na Fazenda Quixabeira, onde nasceu à margem do rio Taperoá. Ali ele aprendeu a fala e as histórias dos peões que trabalhavam na propriedade. Teve, como amigo e mestre, um tio que se chamava Joaquim Lino, o Quinca Onça, bom observador e contador de histórias. Aos dezoito anos, tendo perdido seu pai, resolveu aventurar a vida no Sudeste. Viajou por quatorze dias em caminhão pau de arara e percorreu 2.750 quilômetros em estrada de terra, pois naquela época só existia asfalto entre Petrópolis e a capital federal, onde foi despejado como mercadoria no Campo de São Cristóvão, reduto dos nordestinos no Rio de Janeiro. Procurou emprego de todas as maneiras, sempre esbarrando nas dificuldades da inexperiência e da falta de escolaridade. Foi jardineiro, carpinteiro, office-boy e, por fim, vendedor de livros, profissão em que se destacou como bom profissional. Para vender os livros tinha que lê-los a fim de dominar a matéria e ter melhor argumentação, nascendo daí o gosto pela leitura e pelo aprendizado. Tanto vendeu que se tornou livreiro e, posteriormente, editor de livros. Foi sindicalizado como editor e exerceu a atividade até se aposentar. Por seu desempenho em Nova Friburgo, onde mora desde 1967, recebeu Menção Honrosa da Câmara Municipal e, posteriormente, o título de Cidadão Friburguense, homenagem que recebeu também em Bom Jardim, cidade contígua, onde tem uma propriedade rural.

Serviço:

Caatinga
Coisas e Causos
Vicente Ferreira Rodrigues

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-3898-0
Formato 14 x 21 cm 
192 páginas
1ª edição - 2014

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