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VERDADES TEMPERADAS / Ricardo Carneiro Leão

Foi este anúncio que encontrei, na sessão de classificados de um grande jornal, em um domingo frio e chuvoso que estava descontraído procurando o que fazer.
- Vendo um poema.
Se você quiser comprar, vou logo avisando: não é um poema qualquer escrito por um poeta em guardanapo ou em papel de pão na mesa de um bar curtindo uma desilusão. É um apaixonante poema escrito para uma mulher por um poeta morto que continua vivo no homem que não quer mais poetizar. Foi o último poema que o poeta que hoje está morto escreveu antes de morrer.
- Não estou vendendo por estar precisando de dinheiro, o que tenho é suficiente para me levar até não precisar mais de ar para respirar. Estou vendendo porque não preciso mais ler os versos que foram construídos e continuam em segredo nos meu arquivos onde tem muitos outros sem grande importância que um dia serão destruídos.
- Este poema que estou vendendo só não doo porque, talvez quem o recebesse não daria o valor sentimental nele contido. Talvez fizesse dele um picadinho ou até mesmo o queimasse transformando-o em cinzas que seriam levadas pelo vendo da indiferença. Se para ser o dono deste poema alguém dispender de um grande valor em dinheiro saberá valorizar os ricos versos de amor que adquiriu, guardando-o em um lugar seguro e de destaque não só na sua biblioteca, mas principalmente no seu coração, como peça rara e única de museu. Se você tiver interesse, no próximo domingo nesta mesma seção darei informações mais detalhadas de onde me encontrar, ainda virtualmente.
Grato pela atenção
Poeta Morto - 04/08/2014

PAI E FILHO
19/04/11

Pai
Não sei se você me amor
O mesmo tanto
Que eu gostaria de tê-lo amado.
Nosso tempo não foi tão curto,
Mas também não foi tão longo
O suficiente pra nos amarmos.
Nós nunca conseguimos
Ser verdadeiros amigos.
Não fomos capazes de transpor
A barreira que existia entre nós.
Você foi meu pai
Sem nunca ter me dado o amor paternal.
Eu fui seu filho,
Sem nunca ter te dado o amor filial.
Creio que nossas almas
Nunca tiveram afinidade.
Talvez por isso,
Nunca tivemos a liberdade
De sermos muito mais
Do que simplesmente pai e filho
(não basta ser pai,não basta ser filho).

São poucas as minhas lembranças
Do tempo de criança
Que passamos juntos.
Lembro de você cantando
"Serra da Boa Esperança"
Acompanhando a voz de Silvio Caldas.
Demonstrei a você a minha gratidão,
Mesmo em nunca ter me preocupado,
Ao realizar o seu maior sonho,
Estudando com muito sacrifício,
Formando-me médico.
O que você não conseguiu
Por escassez de recursos.
Hoje, após onze anos, sem você aqui,
A sua imagem visita a minha memória,
Fazendo-me lembrar da última vez
Que te vi com vida,
Com a mente muito confusa,
Em um leito hospitalar.
Você não me conheceu,
E a seu lado pouco tempo eu fiquei
(visita de médico, não de filho).
Fui embora, sem remorsos,
Com a certeza que está próxima
A sua hora.
Foi assim que aconteceu
Nosso último encontro, que na realidade
Foi mais um dos nossos desencontros.
Dizem que a saudade corrói,
Mas a que sinto por você, nem mesmo me dói.
É muito gratificante saber, mesmo distante,
Que tive um pai e é a você que dedico
Estes versos sinceros, apesar dos pesares,
Para demonstrar minha gratidão
Por ter me trazido à esta encarnação
Onde estou aprendendo a ser
Muito mais amigo do que pai.
*Composição de Lamartine Babo em 1937

ricardo@drpoeta.net
drpoeta.blogspot.com

Serviço:

Verdades Temperadas
Poemas com Poesias sem Falsidades
Ricardo Carneiro Leão (Dr. Poeta)

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-3929-1
Formato 14 x 21 cm 
228 páginas
1ª edição - 2014

Mais informações:

Para comprar este livro verifique na Livraria e Loja Virtual Asabeça se a obra está disponível para comercialização.

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