VELHOS TEMPOS DE INFÂNCIA / Luiz Ferreira da Silva

E, pelo lado lúdico, a configuração de Coruripe dá uma ideia do quanto a natureza foi camarada com a nossa infância, facultando-nos desenvolver o corpo e a alma, tanto pelo vale soltando pipas (arraias) e jogando bola, quanto pelas ladeiras, na “fórmula – cr” (carrinhos de rolimãs); além dos mangues (pegar caranguejos) e das grotas (pegar passarinhos). (Cap. I). Vale a pena expor o quanto me recordo desse local e o quanto apreciava a época de tiragem de coco. Íamos a pé, eu e meus irmãos, rezando para que aparecesse um carro-de-boi que nos socorresse.

Era uma farra viajar neste veículo de grande utilidade na época. (Cap. III). O bacana eram as bicas que captavam as águas pluviais e as lançavam nas calçadas ou no próprio leito das ruas. Isso proporcionava uma festa para os garotos. (Cap. VI). Os pés descalços na terra, o conhecimento das coisas do campo, sobretudo o esplendor das flores e o sabor das frutas silvestres são fatores de maior identidade com a natureza. (Cap. VII). Recordo-me muito bem do Natal lá em Coruripe. E sonhava com a data, antevendo os brinquedos em frente à Igreja do Rosário, que me fascinava. (Cap. IX). Como era bonito ver os humildes rurais trazendo em caçuás os produtos, literalmente frutos do seu labor, da sua competência, do seu “ganha-pão”! (Cap. X).

Eram poucos ricos, mas sem a extravagância e capacidade estipendiária, convivendo harmonicamente com os muitos pobres, porém sem a miséria que estampa na periferia, grotas e favelas das capitais brasileiras. (Cap. XV). E, nos meus 77 anos, cada vez mais sinto o quanto aquela educação doméstica rígida, muitas vezes, produzia frutos, sobretudo ao comparar com os novos tempos, em que ela foi negligenciada por diversas razões. (Cap. XVII). Nada mais existe. Depredaram a natureza. Não souberam aliar o desenvolvimento com a conservação ambiental, prejudicando as gerações futuras. (Cap. XVIII). O Grupo Escolar era o epicentro educacional que, além de ensinar, educava e induzia ao patriotismo. (Cap. XX).

Luiz Ferreira da Silva é natural de Coruripe (Al), onde fez o curso primário no Grupo Escolar Inácio de Carvalho. Mudou-se para Maceió e concluiu o chamado científico no Colégio Estadual de Alagoas. Prestou vestibular na UFRRJ, graduando-se Engenheiro Agrônomo em 22 de dezembro de1962. Especializou-se em Solos Tropicais e prestou serviços como pesquisador no Centro de Pesquisas do Cacau, CEPLAC, na Bahia, onde foi Diretor por três anos. Posteriormente, diretor da CEPLAC-Amazônia, realizou diversas viagens ao exterior para participar de eventos técnicos e prestar consultorias. Publicou 75 trabalhos técnico-científicos sobre Solos/Pedologia, Zoneamento Agroecológico e Manejo e Recursos Naturais. Publicou ainda três livros técnicos e dois livretos agrícolas. Nos últimos dez anos, passou a se dedicar à literatura, editando doze livros e recebeu certificados, prêmios e medalhas de reconhecimento profissional. Aposentou-se em 1991 e passou a prestar consultorias para órgãos de pesquisa e universidades. É casado com a Sra. Airma Tenório Ferreira, com a qual edificou sua família – três filhos (Luiz, Ana Luiza e Luciana); sete netos (Gabriela, Bruno, Rodrigo, André, Maria Luiza, Lucca e Mariana) e uma bisneta (Cecília).

Serviço:

Velhos Tempos de Infância
Luiz Ferreira da Silva
Editora Scortecci
Crônicas
ISBN 978-85-366-4073-0
Formato 14 x 21 cm 
104 páginas
1ª edição - 2015

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