OS FILHOS DE MOISÉS / Maria Luzia Villela

O protagonista desse romance, que apresenta muitos personagens, é sem dúvida Moisés que oscila entre vítima e herói. No início da puberdade foi chicoteado e privado de alimentos por não conter a sua língua e falar em favor de sua gente. Não se detinha quando via injustiça. Aliando-se a Arão conseguiu demarcar terras que estavam sendo surrupiadas por Bento, que inescrupuloso, favorecia seu grupo familiar, também conseguiu sustar a dilapidação do rebanho.

Moisés ama apaixonadamente uma mulher já casada, com a qual gera um filho, seu primogênito. Mas tudo precisa ficar em secredo, o risco social, a intolerância poderia atingi-los de forma arrasadora. Seria certo ouvir o conselho da amada e casar-se com outra? Sem amor? E, assim sendo, mentindo com palavras ardentes, não estaria pecando? Quando tomava a verdadeira paixão nos braços acalmava os pruridos de consciência dizendo que o amor tinha direitos... Mas o fantasma do pecado os atormentava. Enfim, mesmo sem amor, desposa uma bela mulher em cujas veias há um quarto de sangue africano, motivo de olhares enviesados e insinuações maldosas de preconceituosos.

Configurou, na ocasião, a maneira de poder estar perto do filho e da verdadeira amada, a qual para afastar o esposo de direito e conseguir uma desforra, forja uma mentira que resulta em morte. Muitos conflitos precisavam ser resolvidos. Mas o homem, cuja batalha maior travou com seus universos interior e exterior, soergueu-se após romperem-se, graças sua luta sem trégua, os laços de interesses e traições. Porém, libertando não conseguiu libertar-se das circunstâncias que abateram seu coração, amargando o não ouvir seus únicos filhos homens chamá-lo de pai.
 
Uma família cujos descendentes recebem nomes bíblicos. Recebe sesmaria do Imperador. Tornanm-se criadores de gado. Uma das mulheres da família, fica viúva e com filhos menores. Casa-se em segundas núpcias com homem prepotente com filhos, aos quais começa a favorecer com os bens deixados pelo primeiro marido dela. Moisés, o enteado mais velho, entra em choque com o padrasto. Ao mesmo tempo apaixona-se por Sinhaninha, casada com o filho mais velho do padrasto. Esse amor traz frutos e dificuldades a serem resolvidas...

Entrar neste livro como se fosse um passeio imprevisto é a melhor maneira de entender os personagens da história de Os filhos de Moisés. Maria Luzia Martins Villela, experiente romancista e contista, consegue, nesta obra, elaborar uma narrativa que envolve outra época e outros costumes, numa linguagem bela e precisa, tornando o tempo e o espaço fundidos no contemporâneo, o que resulta em um romance atemporal, com possibilidades de acontecer onde e quando o quisermos. Esse é um enredo onde o amor, o ódio e o medo derivam dos preceitos morais da sociedade na época em que os fatos acontecem, mas que deixam rastros que podem ser descobertos pelo leitor atento aos padrões morais de hoje, ainda vigentes em variados pontos da terra. Convido-os a percorrerem os caminhos junto aos personagens tão bem elaborados e a se surpreenderem com esta forte, porém delicada, história de amor.
Marilurdes Martins Campezi - Academia Araçatubense de Letras União Brasileira de Escritores

Maria Luzia Villela, 84, nasceu em Serra Azul, SP, na zona rural, em 1930. Formou-se inicialmente em Magistério (Normal) no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, e ao mesmo tempo no Curso Clássico do Colégio Estadual “Otoniel Mota”, ambos na cidade de Ribeirão Preto. Posteriormente graduou-se em Pedagogia em Penápolis (FUNEPE) e em Estudos Sociais, na Faculdade Auxilium, Lins/SP. Professora, efetiva por concurso, ocupou a cadeira de Geografia em Viradouro e Jardinópolis. Mudou-se para Araçatuba, onde se casou com Pedro Silva Villela e mora até hoje. Maria Luzia publicou os livros Liberdade, 44 (romance) e Sem Nome e Sem Choro (contos) e participou, em coautoria, de algumas coletâneas como Experimentâneas e Gol de Letras. Ainda na carreira literária, teve alguns contos premiados como “Apenas Um Homem, Apenas Uma Mulher” e “A Abençoada”, com os quais ganhou o primeiro lugar em concursos promovidos pela Secretaria da Cultura de Araçatuba, e classificou-se em segundo lugar com o conto “Mariposa”, em 2013. Em 2001, recebeu também, com algumas poesias, o prêmio “Osmair Zanardi”, promovido pela Academia Araçatubense de Letras, onde integrou o “Grupo Experimental” por vários anos e, em 2006, passou a ocupar a cadeira número 8, cujo patrono é Graciliano Ramos.

Serviço:

Os Filhos de Moisés
Maria Luzia Villela

Scortecci Editora
Romance
ISBN 978-85-366-4086-0
Formato 14 x 21 cm 
236 páginas
1ª edição - 2015

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