AOS 70 / José Vicente Jardim de Camargo

Escrever é uma atividade artística solitária – dizem alguns. No entanto o escritor necessita da leitura crítica de outras pessoas para que se alimente nele novo apetite de criar, e criar. Para se iniciar a atividade de escritor não há idade limite, nem mínima nem máxima. Aos 70 vem exatamente comprovar essa tese, mostrando que a qualquer tempo o homem pode ser criativo, ousar contando histórias de qualquer gênero, trabalhando com o fantástico literário. José Vicente tem uma veia criativa que paira entre o hilário e o irônico. Neste livro Aos 70 os textos (contos, crônicas e poesias) refletem lirismo, crítica e sentimento.

As personagens de personalidade marcante, algumas requintadas, outras cafajestes, representam papéis comuns da vida real. A leitura corre solta e descompromissada da numeração de página, o que dá ao leitor liberdade de andar daqui para lá, ou de lá para cá, em passeio literário recheado de figuras e imagens. Aos 70 tem a beleza das imagens, como no “Conto Premiado”: “Ao ver na rua principal um desses belos casarões com dizeres ‘Hotel Solar Imperial’, entrei e, ao ser informado na recepção que ali pernoitou Dom Pedro I em final de agosto de 1822, quando da sua histórica viagem a São Paulo, donde, nas margens do Ipiranga, daria o grito da independência, não hesitei em me hospedar ”. Tem a riqueza dos detalhes, como no conto “Viva a sogra”: “Cada um no seu lugar de sempre, cachorrinha no colo, partimos rumo ao porto – a cidadezinha em estilo colonial era aprazível e acolhedora.

A traineira já recebia os primeiros turistas em seus trajes coloridos em meio a um vozerio contagiante de juventude e alegria”. Tem o fantástico, como no conto “Boca fechada não entra mosca”: “E assim, de prontidão, da porta aberta da aeronave via, cada vez mais distante, a paisagem diminuir. Casas, carros, estradas agora eram pontinhos sem movimento. A paisagem parecia um tabuleiro de xadrez, cheia de quadrados coloridos ”. Tem passagens imagéticas, como no conto “História para boi dormir”: “Com o cair do dia, o que de comida lhe faltava, sobrava o cansaço e o tormento das picadas de borrachudos e abelhas. Já estava à procura de alguma gruta ou de um tronco caído onde pudesse se encostar e tentar repousar sem pegar no sono para não ser atacado por algum animal selvagem ”.  Aos 70 é uma boa opção de leitura e diversão. É, também, um bom exemplo de que aos setenta o homem pode!
Ana Maria Maruggi - Monitora da Oficina de Textos Criativos EscreViver no Clube Alto dos Pinheiros. Monitora da Oficina Ideias e Ideais pelo Instituto Cultural Artístico e Literário do Brasil (ICAL).
Contato: anamaruggi@gmail.com

“Sonhar não é pecado
Viver é só saber
Rogo a Deus que me dê logo
O prazer dos beijos seus”

“Quem me dera sempre ter
Forte amor ao lado meu
Pra saudades nem de longe
Perturbar o sonho meu”

Serviço:

Aos 70
Contos, Crônicas e Poesias
José Vicente Jardim de Camargo

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-4296-3
Formato 14 x 21 cm 
144 páginas
1ª edição - 2015 

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