DIAS DE ENCONTROS E DESENCONTROS / Dias de Cordel

Os jovens nordestinos são aventureiros por natureza e também premidos pela necessidade. Mandiocão veio da Paraíba e após várias passagens pelas fazendas de Goiás foi contratado por Ciro Morgado, chefe da turma motorizada da Conserbrás, para ser ajudante-geral. Evoluiu para ajudante de máquinas, operador de HD-21 e finalmente foi chefe-geral de transportes da empresa. Após alguns anos na autarquia, saiu para trabalhar como condutor de ônibus fazendo a linha Goiânia/São Paulo. Casou-se com Quininha, revendedora de produtos Avon em Goiânia.

Com apenas dois anos no novo emprego ele sofreu um acidente na ponte do Rio Grande, divisa de SP/MG, e morreu na hora. Farrinha veio da Bahia e faleceu em um acidente na Belém-Brasília. Cruel, também baiano, foi com sua turma ao estado do Pará. Jaciê veio de Alagoas para Goiás e após três anos como peão de fazenda foi admitido na Conserbrás, como escrevente, pelo mesmo chefe que havia contratado Mandiocão. Trabalhou em serviço burocrático e ganhou promoções na escala funcional da empresa. Chegou ao posto de administrador de trecho e um ano depois tornou-se chefe do setor de Recursos Humanos do trecho Gurupi/Anápolis (GO).

Foi transferido para a sede em Goiânia, onde se casou com Jacineide, funcionária de um supermercado, e passou a ser um cidadão goianiense. Quinzão era natural do Bibocão (CE). Morou em Juazeiro do Norte, Fortaleza e Largo dos Rodrigues (MA). Regressou ao Cariri (CE), onde ficou por pouco tempo. Casou-se com Geldice, que também estivera no Maranhão. Voltou ao Largo dos Rodrigues e esticou a viagem até atingir o estado do Pará, onde encontrou Joca, o irmão mais velho, e juntos retornaram ao Bibocão, no sudoeste do Ceará. Era um andarilho igual ao Jaciê. Após desistir de suas andanças, foi cuidar somente de seu pequeno sítio lá pras bandas de Cajazeiras, município de Assaré (CE), apenas como um simples agricultor.

Tudo que a vida lhes fez
Foi mais do que cortesia
Deu-lhes muita intrepidez
E isenção de covardia
Pois ninguém fugiu da luta
Dura, em honesta disputa
A qual sempre acontecia.

Nunca esqueceram a terra
Deles, e que os viu nascer
Não saíram para a guerra
Mas sim pra sobreviver
Cruel, Farrinha e Quinzão
Amigos do Mandiocão
Juntaram-se ao Jaciê...

Cada um com seu problema
Acabaram se encontrando
Só Deus sabia do esquema
E tudo foi se ‘encaixando’
Quatro deles numa empresa
Que os acolheu na certeza
De estar, é claro, ajudando.

E a seguir tudo se fez
Como foi por Deus traçado
Cada um por sua vez
Decidido e concentrado
Desafiou seu destino
Como qualquer paladino
Faz, se for determinado...

Esses cinco aventureiros
Não recuaram pra nada
E como bons companheiros
Atentos para a ‘escalada’
Que era, evidente, importante
Cada um foi coadjuvante
Pra meta ser alcançada.

Geldice encontrou Quinzão
E o agarrou, de uma vez
Nem sequer deu atenção
Ao que de errado ele fez
Como agricultor refém
De uma terra, que só tem
Não mais que sua aridez.

Mandiocão ganhou Quininha
Com jeito e muita atenção
Beleza alguma não tinha
Mas causou boa impressão
Que ela ousou acreditar
E formou com ele um par
Na mais perfeita união.

Tendo um a mais, Jaciê
Destemido alagoano
Que soube como acrescer
Jacineide, no seu plano
Sem dúvida bem-sucedido
Para ser reconhecido
Como um cidadão goiano.

Ressaltamos a presença
De Cruel e do Farrinha
Dois baianos de nascença
Que eram de primeira linha
Formando a dupla que entrou
Nessa história, e os consagrou
Pois méritos, cada um tinha.

Serviço:

Dias de Encontros e Desencontros
Dias de Cordel

Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-4329-8
Formato 14 x 21 cm 
68 páginas
1ª edição - 2015

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