ÁPEIRON / Marcela Cosme de Freitas

O mundo é uma coleção de impressões das mais variadas formas e tipos, ou seja, sem uma realidade verdadeira, apenas momentânea. Monet descobriu essa realidade após pintar 50 quadros de umas mesma paisagem, a Catedral de Rouen, reproduzindo a incidência variável da luz em cada momento retratado - tornando a imagem da catedral uma percepção da realidade. Assim como a paisagem de Monet, a humanidade também precisa de uma incidência de luz para conseguir enxergar as diversas percepções, que parecem cegas perante a reconfortável ignorância. Moneque encontrou essa luz, Ápeiron.

A percepção fantástica que a espada trouxe para a antiga impressão de mundo aos olhos de Moneque fez tudo virar uma massa de verdades cruéis e mentiras agradáveis. O todo conhecido pela garota não passava de um conjunto de realidades mutáveis a cada instante, abrindo a grande questão: em qual realidade acreditar? 

Uma carta queimada - Minha querida menina, estou perto de nossos últimos momentos juntas e logo mais não terei a minha parte física e tampouco a espiritual, serei apenas uma lembrança de existência. Mas você, minha pequena, será grande, destinada ao poder e ao mundo. Será de Deus e de seus anjos, fruto da árvore da vida. Você será divina, porém mortal – humana – e a morte é a prova disso. Possuirá tanto a vida quanto a morte. Lute pelo que achar certo, mas lembre-se de que nem sempre nossas convicções estão apontadas para o lado correto.

Apenas tenha cuidado ao amar, existe muito mais que pessoas erradas para o amor. Às vezes mentiras sussurradas parecem mais agradáveis do que verdades gritadas. A dor é a prova do real, não acredite em algo que a entorpeça. Viva; aprender a viver é a única coisa que a desgraça não pode lhe arrancar. Sofra, pois o sofrimento mostrará que valeu a pena perder aquilo. A única coisa que lamento é que você esteja destinada a grandes feitos, pois estes fazem anjos caírem e demônios levantarem. Seja você, Moneque, seja tudo.
Mamãe - 12/11/12

“Não há humanidade nos olhos de Sawyer, não há misericórdia.”

“Às vezes esqueço que você é um demônio.”
“São olhos vivos para uma alma morta.”

Eu realmente gosto muito desta história. É muito envolvente, com um estilo de escrita próprio e tão interessante quanto vários livros atuais. É um mundo dominado pela Igreja, onde anjos comandam a sociedade por trás dos panos e perseguem os rebeldes, como em uma nova caça às bruxas. O mal e o bem se confundem na história e a experiência da leitura é diferente, porque dessa vez estamos ao lado do mal. Com uma personagem principal incrível, Moneque, e uma narrativa feita com personalidade, a leitura é rápida e fluida. Além disso, há Sawyer, o outro personagem principal, que tem o melhor de todo demônio: sem alma e cruel, não se importa em matar e parece não ter capacidade de amar. Entretanto, ele é incrível em todos os outros sentidos, o que lhe traz um conflito: se ele quer ser ou não o par romântico de Moneque. Um aspecto curioso da história é sua capacidade de nos fazer mergulhar cada vez mais no mundo das trevas, da magia negra e dos demônios – uma perspectiva completamente nova.

Outro ponto forte da obra é a dúvida: os anjos são bons? Existe diferença entre bondade e maldade, ou só atendemos a desejos egoístas? Isso causa reviravoltas intensas e bem elaboradas. Deus é retratado como alguém próximo da personagem, que, mesmo não sendo muito humana, ainda reza e acredita em suas bênçãos. A ligação entre os dois é interessante, transformando Deus em um auxiliador com conselhos sábios, mesmo que seja em silêncio. O elemento crucial do livro é a espada de Ápeiron e sua capacidade de ligar os dois mundos, o que cria uma atmosfera de guerra, quase apocalíptica. A história foi bem desenvolvida e tem muito potencial, com personagens bem construídos e uma trama surpreendente. Aguardo ansiosamente a continuação!
Victória Brambilla - Primeira leitora

Marcela Cosme de Freitas nasceu em 1999, em São Paulo. Atualmente cursa o ensino médio e pratica hipismo, sua segunda paixão depois dos livros. Ápeiron é sua primeira obra tornada livro físico e uma das muitas salvas em seu computador. Seu início no mundo da escrita se deu aos oito anos, quando ganhou o primeiro computador. O amor pela criação de histórias se tornou um vício – isso faz com que crie histórias em momentos inusitados, como, por exemplo, durante a realização de uma avaliação escolar. Quando não está no computador, é vista escrevendo no celular ou à mão, em guardanapos, apostilas, cadernos escolares, espaços em branco da folha de prova...

Serviço:

Ápeiron
Marcela Cosme de Freitas

Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-4306-9
Formato 14 x 21 cm 
436 páginas
1ª edição - 2016

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