O MUNDO DAS EMOÇÕES / Badu

Este livro é sobre paixão, medo e ódio. Ele não é um romance, como geralmente é tratado esse tema, nem é uma tese acadêmica, pois a psicologia não é minha área de formação. Eu narro aqui uma experiência de medo intenso que tive e o caminho que percorri para superá-lo. Escrevi porque a narração escrita é também um processo de cura e autoconhecimento. E também porque gostaria de romper o silêncio, o tabu que existe em nossa sociedade com relação a distúrbios psicológicos.

Disseram-me que eu teria de escrever na “orelha” do livro, e que poderia ser uma apresentação dele ou a minha biografia. Achei engraçado tentar escrever minha biografia aqui. Minha vida foi um marasmo, como poderia extrair dela algo que despertasse o interesse do leitor? Poderia resumir minha biografia em duas linhas: nasci, cresci, entrei para o serviço público e estou lá até hoje. Poderia dizer que me formei em Direito, mas minha formação acadêmica não tem nada a ver com o conteúdo deste livro, então, essa informação é dispensável, a não ser para transcrever um comentário que ouvi quando era estudante: um professor meu disse, certa vez, que os alunos da universidade onde me formei eram como jacarés na beira da praia, eles não sabiam o que estavam fazendo lá. Achei graça daquele comentário, imaginei um jacaré de boca aberta, pensei em outros alunos e não em mim. Deveria ter tomado aquela crítica para mim, pois eu fiquei durante longos anos como um jacaré de boca aberta na beira de um lago. Eu fui um ser inerte por quase toda a minha vida, até que um dia fui tomado de medo intenso sem qualquer causa aparente. Essa sensação tão estranha e inédita que senti fez com que eu voltasse minha atenção para essa parte obscura, assustadora e ao mesmo tempo fascinante da mente humana: o inconsciente. Este meu texto é o relato de minha tentativa de entender essa outra parte da mente. Nasci, cresci e vivi quase toda a minha vida em um mesmo bairro na capital de São Paulo, mas hoje ele é muito diferente do que era na minha infância. Naquela época podia-se nadar nos rios, minha casa não tinha muros e meu quintal era o mundo. Como na canção de Belchior, “eu era alegre como um rio, um bicho, um bando de pardais”. Eu vivia livre, sem regras e sem medo de nada. Perdi minha mãe aos nove anos de idade e tudo mudou. Desenvolvi uma timidez extrema que me fez prisioneiro dela. Por volta dos 20 anos, passei a morar sozinho, acostumei-me à paz que a solidão proporciona. Mas numa noite, surpreendentemente, depois de duas décadas morando sozinho, fui tomado de um medo tão intenso que não conseguia passar nem sequer uma noite sozinho. Esse texto é minha tentativa de entender o que ocorreu comigo naquela noite.

Serviço:

O Mundo das Emoções
Badu

Scortecci Editora
Autoconhecimento
ISBN 978-85-366-4999-3
Formato 14 x 21 cm 
200 páginas
1ª edição - 2017

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