EU AMO INTENSAMENTE COMO FOGO QUE TERMINA EM CINZAS / Alan Pereira

Em Amo intensamente como fogo que termina em cinzas, a lírica amorosa é retratada com agudeza por meio de trilhas que escapam aos lugares comuns e revelam imagens intensas que exprimem a grande travessia percorrida pelos seres humanos: a do amor. Com seus encantamentos, suas veredas, suas desilusões e seus renascimentos, afinal “amar/ é cruzar o mar/ e encontrar em cada porto/ o amor”.

Tecido no espaço caótico das megalópoles, o movimento poético recusa “o estilo de vida indiferente” e aposta em altas doses de humanidade daquele que busca o autoconhecimento, tem medo “de não ter feito as perguntas certas/ ou pior, nunca ter perguntado” e plena consciência das metamorfoses da vida. O olhar lúcido do poeta permite depurar o real transfigurando-o em matéria poética, construída por meio de versos cáusticos que refletem temáticas cruciais como a escravidão “da pena ao samba/ houve Palmares”, a guerra dos “povos divididos por profecias”, a desigualdade social “herbicida que extermina” e a desumanização dos indivíduos “sardinhas sem cabeça” que transitam em condições precárias na luta pela sobrevivência.

Neste livro de estreia, Alan Pereira percorre com maestria e profundidade os caminhos do amor, da condição humana e da vida social. O lirismo e a sagacidade de sua poesia, esculpida com força e inteligência, tornam a leitura inquietante e desassossegam o leitor, convidando-o a embrenhar-se nestes versos que, com a qualidade apurada da linguagem, enriquecem a poesia brasileira contemporânea.
Juliana Schiavoni  - Graduada em Letras pela USP

Minha vida pode ser dividida em alguns momentos cruciais. O primeiro é quando percebi a minha existência. Levei um tombo de triciclo ainda muito pequeno, acho que tinha 3 anos, e aquela dor me conectou com meu corpo e sua fragilidade. O segundo foi quando percebi o que representava para a sociedade. “Ser negro e pobre, morando na periferia, não me levaria a lugar algum”, essas palavras foram ditas por Toni Garrido do Cidade Negra e me fizeram despertar para minha negritude. A partir daí tive outras dificuldades, como me entender enquanto negro nesta sociedade e construir minha identidade a partir disso. Escrever poesia, ainda mais uma poesia que fale essencialmente de amor romântico, idealizado e muitas vezes não correspondido, não é tarefa fácil e comum nos dias de hoje. Minha maior necessidade sempre foi colocar no papel o imaterial, que só se pode sentir enquanto ser que ama um outro ser. Interagir com pessoas sempre foi um problema devido à timidez. Talvez por isso tenha me identificado tanto com a docência enquanto desafio – assim pude lidar melhor com ela. Trabalho como professor de Geografia desde 2004, falando da vida e tentando de alguma maneira mostrar um caminho para adolescentes em transformação. Meus pais são o exemplo da migração que une mundos diferentes. Nasci pouco tempo depois de se conhecerem e a família que se formou era mais uma em que o pai era o provedor, distante dos filhos. Minha mãe sempre segurava a barra e praticamente tudo o que tenho de melhor devo a ela. Tenho gosto por fotografia, trilhas, corrida, plantar e colher, a natureza em si, mas nada muito exagerado, apesar de escrever poesia, ela não está sempre comigo, ela é justamente uma conexão com sentimentos que brotam no peito e não me deixam em paz. Paixões que marcam a vida, a existência, sendo a poesia a companheira em momentos de introspecção, incertezas e momentos idealizados, constituindo-se em sonhos métricos em papel.

Serviço:

Amo Intensamente Como Fogo Que Termina em Cinzas
Alan Pereira
Ilustrações: Flávia Tótoli
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-5048-7
Formato 14 x 21 cm 
88 páginas
1ª edição - 2017

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