A SANDÁLIA DOURADA / Santiago D'Avila

No dia em que você foi embora, fiquei imaginando você lá no alto, sentada em uma cadeira do avião, ao lado de uma pessoa desconhecida. A sua imagem foi ganhando altitude. A fuselagem do avião sumiu. Sumiram todos os outros passageiros e a tripulação também. Então sua cadeira esvaiu-se igualmente. E ficou só você, voando no céu escuro, indo para longe, muito longe de mim.
(…)
As pessoas erradas entram em nossas vidas e nos dão uma lição. Elas provocam um caos e sentimo-nos como se um furacão nos houvesse invadido e rodopiado tudo o que temos: valores, sentimentos, conceitos, superstições, certezas, dúvidas, medos e fantasias. Ao vermos o nosso mundo tão revirado, às vezes nos desesperamos e achamos que aquilo tudo é ruim porque nos mudou. Por vezes sentimos como se aquelas mudanças nos tivessem corrompido quando na verdade apenas nos amadureceram. No desespero podemos querer fugir. Mas essa fuga nem sempre se concretiza, ou porque simplesmente estamos nos envolvendo de forma total no processo de mudança, ou porque o estamos encarando como parte necessária da nossa formação como ser humano. Outras vezes não conseguimos fugir simplesmente porque não podemos, ainda que queiramos.

O título Romance em um coração semiárido foi cogitado para este livro. No entanto, tal título já havia sido usado para um filme curta-metragem, por isso foi recusado. A sandália dourada foi escolhido por um motivo bastante específico e vai ter sentido depois de concluída a leitura. A opção por dois narradores, um deles sendo personagem, foi feita para destacar a subjetividade desse personagem, que se transforma em um narrador lírico, conhecedor da história que narra, mas não onisciente, como o outro narrador, que aparece no início do livro, desaparece e reaparece no final, para fazer uma conexão entre início e fim do romance. Ainda assim, em alguns momentos pode-se não distinguir claramente entre os dois narradores, apesar de serem pessoas diferentes. O pequeno poema que aparece logo no início, antes do prólogo, é certo de que seja do narrador lírico, personagem da história, de quem nada se sabe, mas depois da leitura do primeiro capítulo fica claro que aquele poema somente caberia ao tal personagem. Algumas pessoas que leram este livro relataram um estranhamento pela forma de narração predominante ao longo da história, mas logo em seguida se colocaram na posição de observador oculto, como quem escuta uma conversa discretamente, sem dela participar ativamente. Outros chegaram a pensar que esse formato teria sido devido à intenção de se destinar a leitura à personagem principal. Apesar de esta última ser uma impressão coerente, a obra é ficcional e não existe tal destinatário.

Serviço:

A Sandália Dourada
Santiago D'Ávila

Scortecci Editora
Romance
ISBN 978-85-366-5108-8
Formato 16 x 23 cm 
156 páginas
1ª edição - 2017

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