SE PIQUE COMPANHEIRO, SUA HORA CHEGOU! / Hélio Motta

Subimos o morro até a área do cul de sac, quando o Nelsinho mandou parar e aí um negão alto chegou na janela do carona, olhou para a gente, desconfiado, e então o Nelsinho falou que queria umas dez trouxinhas do melhor fumo que ele tivesse. Em seguida houve uma breve negociação de preço quando de repente o negão parou de falar, olhou de novo pra gente e disse: Rapaziada, estou conhecendo vocês, eu sei ler, leio o jornal todos os dias e já vi vocês na primeira página, vocês são assaltantes de banco! Vocês são do MR-8, não são?

O jornal sempre descreve um carrão como esse, uma loura gostosa, barbudinhos; é, são vocês mesmos, mas deixem eu me apresentar, eu sou o Sartana, olha aqui o meu “berro”: o negão tirou do cós detrás da calça uma pistola .45 e, na nossa cara, engatilhou a arma colocando uma bala na agulha e continuou: eu posso ajudar vocês, por favor, me ponham nessa, posso ser o olheiro, posso ser o motorista, posso dar cobertura, sei atirar bem, já mandei cinco para a cidade do pé junto, por favor, me levem com vocês! De repente parou de falar, viu o clarão de dois faróis subindo a ladeira e então disse: são os “home”, não posso ser pego com essa “draga” na mão, escondam aí pra mim, companheiros, e jogou a pistola no macio banco de couro da frente, que quicou três vezes no assento antes de ir parar no chão do carro, e saiu correndo. Pânico!

A aventura recomeça nos States, com o Cara e a Lurdinha indo atrás dos índios para questionar sobre o desejo de transformarem-se em cidadãos americanos, um ardil para o governo convocá-los para a guerra do Vietnã. Munidos de uma parafernália de equipamentos jornalísticos, os nossos heróis põem o pé na estrada a bordo do famigerado jeep de rodas tíbias, atrás de moicanos, apaches, sioux e tantos outros. Aproveitam para fazer um tour pelo país, que ninguém é de ferro, descobrem que “índio quer apito” só em música brasileira, e voltam até para a “terrinha”, entre um trabalho e outro, para acompanhar a tresloucada Janis no carnaval, dessa vez do Rio de Janeiro. O Dennis mostra-se o perfeito escudeiro, o homem da frase mágica “dinheiro não é problema”, e leva a trupe para o Copacabana Palace, casa em Búzios e voo em primeira classe. Coloca sua casa de Malibu, em Los Angeles, à disposição para estadia na cidade, regada a festas e limusine na porta. Era o sonho americano, mas aí a Janis teve um “aquele” e foi-se, partiu para uma melhor, deixando os baianos, já bastante americanizados, a ver navios. Por falar em navio, quando ele começa a afundar os primeiros a cair fora são os ratos, teve um que foi rapidinho filmar na Europa. Vida nova, batente pela frente para descolar o pão de cada dia, os dois têm um efêmero vislumbre de um sucesso iminente que veio seguido de uma quarta-feira de cinzas, e bote cinzas nisso. Só resta dizer que foi muito bom, enquanto durou.

Com este livro Hélio Motta completa sua trilogia, iniciada com Oxente, Companheiro, Até Você? e seguida por Aonde, Companheiro, Tô Fora! Nos intervalos, participou da antologia Palavras desavisadas de tudo com o conto intitulado “A sereia”, que narra um outro lado da vida da musa do seu primeiro romance, e da antologia Mais que palavras, com a crônica “Erema”, em lembrança de um grande amigo que se foi.
Contato com o autor: heliomottaf@oi.com.br

Administrador de Empresas, Mestre em Engenharia da Produção, baiano, casado, dois filhos e dois netos, aposentado, foi funcionário público, empresário e professor universitário.

Serviço:

Se Pique, Companheiro, Sua Hora Chegou!
Go Back to Bahia
Hélio Motta

Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-5141-5
Formato 14 x 21 cm 
176 páginas
1ª edição - 2017

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