QUERO MATAR O PREFEITO / Durval Augusto Jr.

Em Quero matar o prefeito, o cômico, o dramático e até mesmo o trágico se entrelaçam nas trinta narrativas desse novo livro de contos de Durval Augusto Jr. Forma-se, assim, o amálgama cujo escopo é, em última análise, iluminar os escuros da alma humana. A obra está dividida em duas partes. Na primeira predomina a comicidade, ainda que temperada aqui e ali com a necessária pimenta de momentos dramáticos. Na segunda, apaga-se o riso que até então iluminava o semblante do leitor. Aqui se depara o homem com sua fragilidade, sua impotência diante dos desmandos do destino. A delicadeza de um amor prolongando milagrosamente uma vida; a humilhação pública infligida a um casal adúltero; a insensatez de um amor absurdo levando um personagem à loucura; o desespero de um homem de bem que corre nu pelas ruas; a ingênua e súbita amizade entre um ancião e um coelho. E muito mais.

“Rugas, meu filho, não são mais que cemitérios de sonhos.”
“Cemitérios de sonhos?”
“Sim, nossos sonhos são como flores tenras, coloridas, perfumadas, que um dia murcham, secam, vão diminuindo, enquanto uma ruguinha vai se formando em nosso rosto. Quando a ruguinha está pronta, o defuntinho de sonho vem e se aloja no fundo dela.”
“Isso é muito triste!”
“É verdade, mas só acontece com os sonhos que não se realizam. Algumas vezes não realizamos um sonho por falta de coragem. Então as rugas vão surgindo. Outras vezes, corremos atrás do sonho errado e nesse caso... Haja rugas!”

Durval Augusto Jr. formou-se em Psicologia pela PUC-MG em 1984 e, três anos depois, após ter trabalhado por mais de uma década numa empresa de seguros, mudou-se para a cidade mineira de Serro, onde permaneceu por quase cinco anos, exercendo a profissão de psicólogo clínico. Foi nessa cidade que, ainda na década de 1980, iniciou suas atividades literárias, tendo, no período, alcançado boas colocações em concursos de poesias e contos. De volta à capital mineira, publicou, em junho de 1999, seu primeiro livro – a novela Fernando Capeta Urubu. Após trabalhar mais alguns anos como psicólogo, migrou para o Poder Judiciário. Ali passou a exercer várias atividades burocráticas até que, após algum tempo, pôde atuar como revisor de textos. Isso lhe permitiu ficar, finalmente, um pouco mais próximo do fascinante mundo das letras, ainda que houvesse uma diferença inquestionável entre o preto e branco dos textos que revisava e o colorido ímpar das sugestões de tramas que lhe assediavam o espírito a todo instante. Continuou produzindo literatura. Voltou a publicar em 2006, trazendo o romance Almas tontas. Em 2011, publicou Sem paredes – outro romance – e lançou a 2ª edição de Fernando Capeta Urubu. Em 2016, publicou o livro de contos A aljava de Cupido.

Serviço:

Quero Matar o Prefeito
Durval Augusto Jr.
Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-5188-0
Formato 14 x 21 cm 
132 páginas
1ª edição - 2017

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