O SAL E O LÍRIO / Francisca G. Vilas Boas

Em nível crítico literário, corroboro, não sou de rasgar seda mesmo porque Francisca G. Vilas Boas não precisa de elogios gratuitos e impressionistas. Por isso sinto-me à vontade para afirmar que Palavras e Sombras, seu livro anterior, é um dos melhores que li nos últimos anos. E reafirmo aqui as razões dessa assertiva. Há no livro um lirismo maduro, criador de imagens translúcidas inusitadas, bem definidas na linguagem que tece metáforas enredantes de sentido profundo. Trata-se de um livro poeticamente competente. Nele tem-se a lírica comprometida com a verdade do sentimento. As imagens, como paisagens numa janela, estão a “espicaçar sombras com a luz”.

Linguagem aberta como enigma: tudo a ver, desde que se descubra o véu da metáfora. A poeta tem razão, ela “dá de comer a absurdos”, trabalha prefixos de vocábulos que geram estranhamento. Sombra é, no livro, heterônimo da sua verdade: “onde há morte há sombras”. Muitos versos carregam um sentido ontológico: “o vazio é prenhe”, “página sem memória”. Assim como o desfecho dos poemas “Hoje preciso morrer”, “Cantiga do dia”, “Retrato”, “O que veste para depois desnudar”. Nenhuma palavra é usada em vão, a (des)dizer metáforas na ordem da surpresa da linguagem. Exemplo: “O olhar à espreita se transforma no que vê”, “Câimbras beliscam ondas inquietas”, “A estrela a fugir desnuda palavras”. Francisca bateia palavras inusitadas que acendem significados surpreendentes no contexto frásico do verso: esgarabulhos – sizígia – cajila, entre outras. Livro sinestésico, às vezes um grito em surdina junto às sombras que pensam. Palavras e Sombras é merecedor do conhecimento dos mais exigentes leitores de poesia. O livro ficou – e é! – bonito em todos os aspectos.
Márcio Almeida - Professor de Literatura e crítico literário

Francisca G. Vilas Boas nasceu em Guaxupé (MG) e reside no Rio de Janeiro desde 1973. Cedo, dedicou-se às letras e em 1960 integrou o grupo pioneiro de Guaxupé, criador do gênero mini-conto no Brasil, movimento que envolveu, entre outros, Elias José, Sebastião Rezende e Marco Antonio de Oliveira, conforme trabalho de Márcio Almeida. Publicou contos e poemas em antologias com os autores de Guaxupé e colaborou em vários jornais de Minas Gerais. Lançou os primeiros livros de contos O Sabor do Humano em 1971 e Roteiro de Sustos em 1972 através de premiação pela Imprensa Oficial de Belo Horizonte. Em 2011 publicou no Rio de Janeiro o livro de poemas A Asa e o Osso pela Editora Galo Branco. E pela Scortecci Editora publicou em 2014 o livro de contos Das Ilusões e da Morte (ed. bilíngue), em 2015 o livro de poemas Palavras e Sombras (ed. bilíngue) e em 2016 o livro A Sombra dos Inventados. Licenciada em Letras e em Direito com pós-graduação nos dois cursos. Lecionou por mais de trinta anos Literatura Brasileira e Língua Portuguesa e exerceu as funções de Oficiala de Justiça pela Justiça Federal. Ministrou, ainda, aulas em vários cursos de redação no Rio de Janeiro e realizou outros cursos na área de Direito e Letras. Sob indicação do MEC e com bolsa de estudos pela OEA, representou o Brasil em 1983/1984 no II Curso Ibero-americano de Educación a Distancia y de Adultos, organizado pela Universidad Nacional de Educación a Distancia de España (Madrid). Realizou em 2008/2009 pela Universidad Complutense de Madrid o curso Estudios Hispánicos. Advoga esporadicamente e nunca abandonou a arte escrita.

Serviço:

O Sal e o Lírio
Francisca G. Vilas Boas
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-5287-0
Formato 14 x 21 cm 
96 páginas
1ª edição - 2017

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