A LETRA X DA PALAVRA AMOR / Lucas Teixeira

O que é amor? Para muitos, algo indefinível. Apesar disso, com o que o amor pode ser confundido e de que formas ele pode ser corrompido ou distorcido? Ele é sagrado ou profano? Proibido e inatingível ou a realização última de nossos instintos e pulsões? Força vital ou patologia da alma? Um valor dos mais nobres ou álibi para os torpes? Para nosso eu lírico, protagonista sem rosto e sem nome, o amor é tudo isso, mas nunca tudo ao mesmo tempo.

As definições mudam para ele na medida em que ele mesmo se transforma ao longe de suas relações. A resposta muitas vezes lhe escapa, e das vezes que ele a encontra, se frustra pelo fato dela não coincidir com as respostas canônicas presentes dos finais dos livros didáticos.  Com isso, se angustia frente ao fato de seu cada vez maior conhecimento científico se traduzir cada vez menos em sabedoria de vida. Poderá ele então encontra melhores saídas junto ao saber popular? Poderá ser mais pragmaticamente orientado por Marcos e Belutti do que por Marx e Engels? Certamente que sim em se tratando das questões universais e atemporais “como se livrar das garras de um amor gostoso” e “como é que eu posso ser amigo de alguém que eu tanto amei?”.

Imaginem vocês um garoto cujo único desejo na vida era encontrar um amor verdadeiro. Ele cresce, vira um homem e encontra o tal do amor. Fim. Não, (es)pera... Continuem agora imaginando que esse homem é fruto de uma sociedade e cultura pautada no princípio de que a zueira nunca acaba. Assim, o amor que outrora satisfaria nosso personagem por toda a eternidade passa a ser negociado em suas práticas e regras. Por um tempo aquilo vai tornando seu relacionamento mais feliz, prazeroso, sólido. Até o momento em que aparecem os limites objetivos à zoeira, em especial o questionamento do princípio da fidelidade e da monogamia.

Nesse momento, tudo que era sólido passa a se desmanchar no ar e o coração do eu lírico vai gradativamente da flor não polinizada ao fruto podre e fétido do qual talvez as divindades façam nascer um novo amor. Como todo livro de poesias, a leitura de A Letra X da Palavra Amor pode dar-se de modo fragmentário, fruindo poema a poema. Contudo, este volume se diferencia da maior parte dos que compõem o gênero na medida em que na sua leitura linear e completa pode-se perceber um fio narrativo que dá unidade ao conjunto e um lugar bem definido a cada um dos poemas dentro do livro.

“Os poemas não apenas se chocam com nossa cultura católica, e seu legado de culpa e de negação do corpo, mas empreendem um embate também com a ideologia do ‘politicamente correto’. Ao mesmo tempo, há uma incorporação de teorias acadêmicas, desde a psicologia sócio-histórica, passando pelo esculturalismo foucaultiano, ou a teoria da gestalt. Assim, há uma abordagem conceitual que permeia os poemas, baseada na coerção dos corpos e dos afetos no interior do tecido social.”
Rafael Senra - (escritor, autor de quadrinhos e compositor)

“(...) penso ser esse o sentido dos poemas de lamentação. Poemas de lamentação, aliás, que não reinvidicam para si qualquer nobreza. O problema deste homem permanece dentro de suas próprias convicções, e sua solidão é uma das expressões de seu ser. Até porque a feminilidade não é um privilégio das mulheres, e reprimir nossos traços femininos só pode gerar angústias.”
Vinicius Tobias - (poeta)

Lucas Teixeira é poeta. Lançou em 2009 o fanzine Isso que é Amor? (http://larvaspoesia.blogspot.com.br/2017/04/isso-que-e-amor.html) em duas tiragens de 500 exemplares cada. Esse fanzine e o presente livro compõem o conjunto das primeiras publicações do movimento intitulado Poesia Ato, juntamente com os livros Metal Físico – 4º Capítulo de Intervenção Humana (Vinicius Tobias, 2013), Poema com “P” de Puta (David Dioli, 2014), e os fanzines 5000 Sentidos – Antologia Poética (Igor Alves, 2011) e A Fraude Marginal (Lucas Ferreira, 2014). A Poesia Ato se define enquanto uma atitude, não necessariamente como um projeto estético e estilístico. Como bom sintoma do mal-estar na civilização, lembra-nos que, apesar de toda domesticação pelo ordena-mento social e cultural, no fundo de nossos corações ainda somos animais repletos de instintos, fazendo dos desejos de matar e morrer um impulso para a rua. Herdeiros da poesia marginal, os Poetas Atos visam produzir segundo o ritmo da vida, entendendo a prática comercial como algo posterior e externo à produção poética. Tal entendimento se reflete na preferência pelo risco da incompreensão e não pelo like e sorriso fácil da palatável poesia pop. Diz também do compromisso com a vida das pessoas comuns em suas simplicidades e complicações ao invés do compromisso teórico-político-ideológico próprios das poesias críticas, engajadas e desconstrutoras. Já no âmbito da difusão, prefere-se o cara a cara das ruas e corredores ao face a face da internet, a alimentação de blogs e canais.

Contatos:
e-mail: lucaspsicoufsj@yahoo.com.br
Facebook: Lucas de Sousa Teixeira

Serviço:

A Letra X da Palavra Amor
Lucas Teixeira

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-5129-3
Formato 14 x 21 cm 
68 páginas
1ª edição - 2017

Mais informações:

Catálogo de Publicações:

Para comprar este livro verifique na Livraria e Loja Virtual Asabeça se a obra está disponível para comercialização.

Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home