PINGO NOS IS / Ricardo Daunt de Campos Salles

Muita gente, ao ler minhas crônicas, se admira da diversidade de assuntos tratados. Ao que eu sempre respondo: eu não sou Ph.D. em política, nunca estudei arte, muito menos joguei futebol. Embora homem de fé, minha religiosidade é questionável. Eu entendo de gente, para o bem ou para o mal. Sou observador, tenho a capacidade de me indignar e adoro relacionar fatos, fazendo relações que muitas vezes escapam ao senso comum. Mas, acima de tudo, odeio clichês e não tenho medo de não ser politicamente correto; ao contrário, adoro uma polêmica. É exatamente a diversidade que caracteriza as relações humanas, não importa se negócio de estado, exposição de arte, semana literária, culto religioso, jogo de futebol – enfim, todas as atividades têm relação entre si e podem definir a essência do momento. O futebol acabou refletindo a política do país quando foi derrotado pela Alemanha por 7 a 1, resultado do sentimento de derrota do brasileiro, indignado com a corrupção de seu governo e da FIFA. Agora que, ao que parece, a impunidade está com seus dias contados, o time brasileiro, depois de seguidas derrotas, conquista a medalha de ouro olímpica e o povo grita “o campeão voltou”, quando na realidade é a esperança que está voltando.

Nos anos 70, política, futebol e arte interagem por ocasião do chamado “falso milagre”. Enquanto o governo militar obtinha enorme aprovação popular, o time brasileiro de futebol conquistava sua mais contundente vitória, e quem pagou o pato foi nossa música popular brasileira que, pelas mãos de seus próprios artistas, inviabilizou a carreira de um de seus maiores ídolos, Wilson Simonal, sob alegação de esse artista patrocinar a ditadura militar. Aliás, a polarização esquerda e direita não é prerrogativa da classe política e está entranhada no meio artístico que, em nome de uma pseudojustiça social, criou obras maravilhosas que até hoje extasiam o público, independentemente de sua coloração ideológica. Daí a censura contra a força que só o artista consegue imprimir na sua arte, que acaba ameaçando os detentores do poder. Enfim, o mundo é um mosaico de atitudes e sentimentos, ações e omissões, intuição e lógica, talento e esforço, e tudo aquilo que é mensurável ou imensurável, pertinente ou inominável, geral ou particular, o que, em maior ou menor grau, acaba definindo um determinado tempo. E é justamente na urgência desse tempo que os artigos deste livro foram escritos, referindo-se a um ciclo que, ao que tudo indica, está chegando ao fim neste país.

Ricardo Daunt de Campos Salles é descendente das mais antigas famílias de nossa cidade. Mesmo não tendo nascido em Pinhal, adotou nossa cidade como sua, e aqui vem desenvolvendo, com sua pena de escritor, um incansável trabalho como defensor da ética, da moralidade e dos direitos de nosso povo. Pingo nos is é um livro que exalta, com argúcia e rara competência, o que temos de melhor em todos os campos de atividades. Abrange política, arte, futebol, religião. Incita as pessoas a reivindicar decência e honestidade na vida pública. Abre os olhos do povo para que fique atento para fiscalizar o que lhe pertence.

Tem sensibilidade de dizer que “enquanto a fotografia nos revela os acontecimentos no papel, a música os revela na alma”. Grande incentivador da cultura pinhalense e seus valores, é agora baluarte do movimento “Rainha das Serras, és responsável por ela”. Este é um livro imperdível para todos os que buscam uma compreensão profunda de nosso tempo, nossa cidade, nosso país. Não deixe de lê-lo. Marly Bartholomei. Escritora, autora, entre outros trabalhos, do livro "O Romance de Pinhal", bem como de diversos artigos para jornais.

Serviço:

Pingo nos Is
Ricardo Daunt de Campos Salles

Scortecci Editora
Crônicas
ISBN 978-85-366-5258-0
Formato 16 x 22 cm 
188 páginas
1ª edição - 2017

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