QUEM DISSE QUE NÃO DISSE O QUE DISSE? / Maruam

A poesia sempre esteve presente em minha vida. Na infância, sequer iniciado no mundo das letras, já decorava e declamava por auditórios paulistanos Castro Alves, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Guilherme de Almeida, entre outros. Na adolescência e juventude, devorava “scripts” poéticos e, na contramão da moda, adotando um perfil menestrel, os difundia em aulas e apresentações. Nas últimas décadas emendando palavras, enfatizei, com frequência, nos meus livros, a marcação da composição em versos entremeada com a prosa livre.

Fiel à incontida paixão pelo estilo, em comemoração às produções literárias com o pseudônimo “Maruam”, produzi esta antologia. Esse termo é utilizado para abrigar uma coleção de matérias de um ou mais autores. Do grego anthologia, sua tradução literal gera um efeito verbal impactante: coleção de flores. Cabe ressaltar que o processo de criação da capa, apresentando um jardim inspirado no Movimento Impressionista, em uma pintura atribuída a Claude Monet, é reflexo desse conceito. Pois bem! Aproveitando para surfar um pouco mais na onda etimológica, o compêndio reúne uma enxuta seleção de recortes de passagens de nove livros e inúmeras publicações plantadas no meu canteiro literário.

Este é um ensaio corajoso totalmente descompromissado com os valores de ordem comercial que pautam o mercado editorial nos dias de hoje. Sempre tive consciência de que a autocrítica dificulta o mergulho consciente de um autor na sua própria obra. O que não poderia imaginar é que essa tarefa pudesse ser tão complexa e árdua. Esperava escrevê-la em um verão , entretanto me estendi até a primavera seguinte.

... e a dúvida se instalou: quais temas distinguir? Pelo critério de aceitação do público, teriam que ser selecionadas as poesias mais declamadas e os trechos das histórias mais reproduzidas. Certamente, considerei a opinião dos leitores, mesmo porque seria insano se não o fizesse. Cabe, contudo, confessar que, nos momentos de indecisão, pautou-se como critério de escolha eleger o que mais tocou o coração ou que gerou maior prazer em criar. Torço para que tenha acertado e que agrade a todos!

... o mais difícil deste garimpo antológico foi reavivar os escritos de tempos idos, tentando, na medida do possível, contextualizar ao momento presente! Das composições em prosa (contos e crônicas), efetuei recortes de maior extensão e reduzi o teor para caber em uma página, sem descaracterizar a forma e o sentido. Quanto aos minitextos, dei ênfase aos utópicos que ensejam continuidade, mesmo sabendo que poderão causar impacto, face à natureza incomum contida nesta forma de expressão literária. Das poesias, busquei as mais populares; dispus, propositadamente em itálico, letras minúsculas e eliminei ao máximo a pontuação, pra vesti-las com um tom de singeleza. E assim, a colcha de retalhos, de fragmento em fragmento, se cristalizou em um bloco personalizado uniforme em verso e anverso.

Não foi fácil derrubar os arraigados paradigmas de formalidade de edição, porém me convenci a suprimir prefácios, dedicatórias, desenhos e tabelas. Pra dar uma entonação mais conversacional, abri mão do áspero cruzamento com as referências bibliográficas, tão comuns em uma antologia (um bom desafio para um biógrafo, caso um dia se disponha a pesquisar). Dispensei títulos para não induzir ideias preconcebidas. No entanto, faria gosto se cada página fosse batizada com um rótulo que representasse as impressões de cada leitor.

Quem sabe, com todos esses cuidados motivacionais, consiga fisgar aqueles que não têm o hábito de ler. Por fim, a estruturação do livro em lâminas autônomas convida à pesquisa aleatória sem a obrigatoriedade de requisitos para continuidade. Com isso, a leitura poderá ser personalizada, tal qual as imagens de um caleidoscópio que, a cada momento, se projeta em diferentes dimensões. Meio doido, não? Tudo pra brindar com um toque de leveza e informalidade ao conjunto. Folheie sem compromisso e, se puder, sem pressa! Espero que aprecie e se divirta! Nos vemos por aí...
Mario Rubens Almeida de Mello
Primavera de 2017


Serviço:

Quem Disse que não Disse o que Disse?
Recortes Antológicos em Prosa e Verso
Maruam
Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-5331-0
Formato 12 x 20 cm  
132 páginas
1ª edição - 2017

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