O CORREDOR DA MORTE / Dias de Cordel

Começou mal essa história/Mas eu não julgo ninguém
Foi uma jornada inglória,/Dessa Terra para o Além,
De um Gervásio fratricida/Que encerrou a própria vida
E a do Nemésio, também.

Descendo o pau

Vou usar, sem perder tempo,
Todo o tempo que eu tiver
E não quero um contratempo
Enquanto o meu tempo der
Pois não tenho tempo para
Mudar, a tempo, essa cara
Que o tempo a fez como é.

Capeta nunca dá nada
Só faz tirar, de ladrão,
Mas com mulher na parada
Ele entra em contradição
E desarma o seu jirau
Pois ela ‘desce-lhe’ o pau
Por causa da chateação.

Peão que quer ganhar tudo
Põe tudo é por água abaixo
Quando existe, sobretudo,
Nisso tudo, um cambalacho
Que a mulher quis preparar,
Pra que ele se mande e já
Pois não acendeu o ‘facho’.

Garimpeiro

Um garimpeiro acredita
E cavouca fundo o chão
Para encontrar a pepita
De ouro, e nessa intenção
Há ânsia de enriquecer
Só que o ouro vai trazer:
Riso, morte e punição.
 
Mas ouro não enriquece
Quando há uma maldição
Pois o diabo nunca esquece
E fica de prontidão
Preparando urucubaca
Pro ouro virar ticaca
Mesmo que seja um filão.

Nemésio não teve sorte
Nem seus amigos, também,
Porque lhes faltou suporte
Que no garimpo não tem
E Adinair, do outro lado,
Quis que tudo desse errado
Mas ‘viajou’ para o Além...

Riso, morte e punição

A Mega-Sena encenou
No picadeiro da sorte
Um sorteio que alcançou
O que pensou bem mais forte
Só que a ganância maldita
Da mulher, gerou vindita:
Dinheiro traz riso e morte.

Era uma vez um sossego
Que ganhou seu passaporte
Disse adeus ao aconchego
Sem garantia ou suporte
E o din-din virou mundé
Morreu nas mãos da mulher:
Dinheiro traz riso e morte.

Claro que o novo ricaço
Que confiou na consorte
Se foi dessa para o espaço
Sem pagar nenhum transporte
Mas passou no cemitério
O fiador desse mistério:
Dinheiro traz riso e morte.

Mulher discreta, e de estilo,
Pensa muito mais naquilo...

Rosicler, a feiticeira

Quem gosta muito de coco
Da Bahia, e mora ali
Reza ao santo de pau oco
E usa sabão de tingui
Pra lavar tudo que é choro
E conseguir mais namoro
Como eu fiz quando te vi.
Se o rouxinol quis cantar
Mas cantou fora de hora
Vendo a mulata passar
Em busca de quem namora
Viu que ela é mandingueira
Ou Rosicler, feiticeira,
Pra me enfeitiçar, agora.

Quando o casal é novinho
Não tem ‘barra’ a segurar
Porque tudo é chegadinho
E a dependência não dá
Para que alguém ponha banca
Ou coloque uma ‘travanca’
Sem que alguém vá se ferrar.

Sem Lua, sem gato ou grilo

Meu gato não sabe ler
Nem se banha na lagoa
Mas gosta de aparecer
Se houver uma tabaroa
Que lhe dê muita atenção
E aí, nessa situação,
Meu gato está numa boa.

Grilo não vai à escola
Nem pula em asa de ema
Mas brasileiro, na bola,
Joga e impõe seu esquema
E, discursando, o macaco
Se coça e toma tabaco
Sem provocar um dilema.

Não se pode acender vela
Sem que ela tenha pavio
E eu considero balela
Que o Sol vá tremer de frio
Porque não pegou a Lua
De madrugada, na rua,
Pensando estar ela em cio.

Serviço:

O Corredor da Morte
Dias de Cordel

Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-5606-9
Formato 14 x 21 cm 
64 páginas
1ª edição - 2018

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