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CONTOS COVIDIANOS / Carlos Méro

Dois dias mais tarde, o sobressalto: Jacó havia acordado, no meio da noite, agredido por uma febre de quase quarenta graus, a cabeça pesada e o corpo inteiro a lhe doer. Assim como se o tivessem espancado, sem dó nem piedade. Não havia razão por que duvidar. O Coronavírus o havia golpeado. Três dias depois foi Raquel quem não dormiu a noite inteira, queimando de febre, os olhos em brasa, a garganta estragada, uma tosse implicante, uma moleza tirana que até pensar a deixava exaurida. Um médico receitou remédios que um outro condenou e por pouco não foram aos tapas. Nenhum dos dois tinha certeza de nada. Mas o fato era que pertenciam a partidos políticos desafetos, cujas festejadas verdades, em tudo e por tudo professadas e carregadas nas costas da retórica do respeito às diferenças de opinião, não suportavam contraditas.

Este livro de contos de Carlos Méro traduz um momento de maturidade do autor. Partindo de um motivo circunstancial, a pandemia de coronavírus que grassou em 2020, o autor refina o tratamento literário de sua prosa atingindo momentos de universalidade que gratificam o leitor. O espaço romanesco parte da referência da cidade de Penedo, em Alagoas, com o sagrado cristão e as relações apequenadas do homem comum e constrói uma reflexão sobre dramas e angústias de todos nós. É o que ocorre com os contos “Dois melros” e “Abelardo e Heloísa”: no primeiro, instala-se um bem-humorado diálogo entre a identidade de uma personagem quase anônima e a de um poeta famoso já falecido, recortado por momentos de tragicidade e humor. No segundo, enfim, de modo arguto, sensível e psicologicamente arquitetado, o autor representa o tema universal da finitude humana e a dolorosa solidão que dela decorre pela voz de um cônjuge emocionado que observa o relato e dele se faz narrador e personagem. Um livro para ser lido e relido.
Vera Romariz - Academia Alagoana de Letras - Escritora e doutora em Literatura Brasileira

De Carlos Méro, nada precisa ser dito: é “primus inter pares”. O que quer que diga ou escreva, sempre vem com o timbre da genialidade e do encantamento.
Diógenes Tenório Júnior - Academia Alagoana de Letras

Carlos Méro a une enorme capacité métaphorique et caricaturale. Il sait créer des personnages hauts em couleurs et avec ce petit grain de folie qui permet à la fiction d’ avancer.
T. C. Duarte-Simões - Université Paul Valéry, Montpellier

Carlos Méro (1949) é de Penedo, Alagoas, Brasil. Advogado, vive hoje em Maceió. Publicou pela Scortecci Editora: Vida, paixão e morte do Irmão das Almas (1999), O herdeiro das trevas (1999), Dias assombrados em Roma (2015 e 2020) e O chocalho da cascavel (2016). Publicou, ainda, O beco das sete facadas (Marco Zero, São Paulo, 2005), Graciliano Ramos: Un monde de peines (The BookEdition, Lille, França, 2015), Um gosto de mulher (Imprensa Graciliano Ramos, Maceió, 2018). É membro das academias Alagoana e Penedense de Letras, bem como do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Alagoas.

Serviço:

Contos Covidianos
Carlos Méro

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-6196-4
Formato 14 x 21 cm 
168 páginas
1ª edição - 2021

Mais informações:

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