O SONHO DE CADA UM / Lucília Junqueira de Almeida Prado

Nunca é demais repetir e reafirmar a versatilidade criadora da Lucília Junqueira de Almeida Prado. Este livro é mais uma prova. Uma surpresa diante dessa versatilidade multifacetada de espelhos vívidos, em reflexos quase cinematográficos, e a levitação de almas humanas dos vários personagens, ao correr das histórias, com suas alegrias, tristezas e sensações outras ditadas pela vida que vivem. Tudo o que ela escreve pulsa em dimensão quase tangível.
Muda esta escritora de ambiente, de espaço geográfico, vai ao passado e vem ao presente, com uma facilidade espantosa. Por três motivos essenciais: é sensível, é artista e é ficcionista. Falhe um dos arrimos do tripé e tudo desmoronará. Há de se dizer que essa tríade é natural em qualquer ficcionista. Não é. O tripé só se firma quando as três chamas dele fulguram através da arma para bem expeli-las: a magia das palavras. E isto a autora sabe dominá-las como poucos.
Neste livro, o conto que o abre – "O Sonho de Cada Um" –, em dimensão de curta novela, está ambientado no Nordeste do pós-guerra. Pois a vida nordestina – sua região, sua sociedade e sua alma – está pulsante nesta história de pequenos grandes dramas sociais, políticos e familiares. E o texto que fecha o livro – "Pelos caminhos do Rio-mar" – é um drama, de liames vários, de surpresas continuadas. Além de pura ficção, pelo andamento narrativo alcança além dela: é uma história onde entram o turismo, a aventura, a ecologia, a vida social e humana, a geografia, o folclore, os amores e as surpresas constantes, numa viagem fascinante de um grupo pelas nascentes verdadeiras do Rio Amazonas, palpitante desde os altiplanos dos Andes, descendo em direção ao mar doce.

E o que dizer de "Ela e ele"? O que dizer da fascinante Manuela, em "A casa grande de frente para a praça"? O que dizer da envolvência social em "O vestido bordado de lantejoulas"? O que dizer de "Tia Dilu" e seu drama pessoal? Uma interrogação para cada uma destas criações primorosas, porque todas possuem o traço vívido e sensível do sonho de cada um dos personagens, que bem compõem e qualificam o título do livro.
Lucília Junqueira de Almeida Prado lembra-me uma expressão de que se valia o escritor e crítico Herculano Pires quando se empolgava com uma excelente história curta: “Nada no conto como o peixe na água”. Pois assim procede esta escritora.
Parecerá elogio e elogio. É que é de fato um colar de magias da melhor qualidade, dentro do fascinante universo literário. A autora sabe dar vida até a um poste sem luz. Sabe dialogar como poucos. Os personagens, todos, dos principais aos secundários, vivem e palpitam. E tudo sem cair nos falsos brilhos, com grande leveza de trato.
Personalíssima sempre nos processos criadores, surpreendente, sem repetições.
Expondo apenas comportamentos humanos dentro das veredas da Vida.

Lucília nasceu em São Paulo. Passou todo sua infância numa fazenda perto da cidade de Conquista, no Triângulo Mineiro.
Voltou a São Paulo para fazer o ginásio no Colégio das Cônegas de Santo Agostinho (mais conhecido como “Dês Oiseaux”). Terminando este curso, fez Secretariado, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e alguns cursos de literatura.
Sempre gostou muito de português e do professor da matéria José Adelino D'Azevedo, guarda as melhores recordações e a alegria de ter sido ele o primeiro a vaticinar que ela seria escritora. Chamava-a para ler suas composições e narrações, de frente para a classe, sobre o estrado onde ficava sua escrivaninha. Quando terminava, ele, que era português nato, tendo um metro e meio de altura, passava o braço pelas suas costas e dizia: “A m'inina vai ser escritora! A m'inina vai ser escritora!”
Aos 19 anos casou-se com um fazendeiro e voltou a morar numa fazenda entre as cidades de Orlândia e Morro Agudo. Assim realizou um sonho: voltar a morar no interior com tempo para muito escrever. Tem cinco filhos, onze netos e, por enquanto, quatro bisnetos.
Este é seu terceiro livro de contos para adultos pois que o primeiro chama-se "Cheiro de Terra" e o segundo "A Vida tem Alvoradas". Até eles, escreveu 65 livros para a infância e juventude. Com seu segundo livro “Uma rua como aquela” ganhou o Jabuti 1971. Tem mais 8 prêmios sendo o mais importante o do “Pen Clube Internacional” pelo conjunto de suas obras.
Lucília foi presidente da “Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil” nos anos de 1980 e 1981. Em 1980 ganhou o diploma “Personalidade do Ano”.

Serviço:

O Sonho de Cada Um
Lucília Junqueira de Almeida Prado

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-1355-0
Formato 16 x 23 cm - 304 páginas
1ª edição - 2008

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