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NARCISISMO DISCURSIVO E METAFICÇÃO – ANTÓNIO LOBO ANTUNES E A REVOLUÇÃO DO ROMANCE / Diana Navas

Se considerarmos que um romance que não ponha em xeque, de alguma forma, os hábitos consagrados e as crenças do escritor e do leitor é um romance inútil, podemos afirmar que o romance de António Lobo Antunes é capaz de despertar em nós toda uma gama de sentimentos os mais variados, menos a indiferença. Isto porque, ao pôr em evidência a ingenuidade do conceito burguês de “realidade”, e também nossa fé ingênua na imagem de real, forjada e ilusória, que diariamente nos é proposta, Lobo Antunes, por meio de uma arte em crise e da crise, produz um romance que exibe, crítica e ironicamente, em seu processo, o movimento ilusionista das linguagens que sustentam nossas falsas certezas e verdades.

Não nos esqueçamos que, para Ernesto Sábato: “Uma das missões da grande literatura é despertar o homem que viaja com destino ao patíbulo”. Lobo Antunes, indubitavelmente, convida-nos a este despertar revelador e, talvez, transformador. Cabe a nós aceitar ou não o convite.

O fluxo de consciência, a presença de instantes imobilizados, a fusão de dimensões temporais, a simultaneidade dos pontos de vista, a circulação de significados inacabados, as analogias desconcertantes, o mergulho no poético e as contínuas metamorfoses no âmbito da narratividade, que se fragmenta e se interrompe, e da escritura, que se faz dispersa e desconexa – tudo isso é marca de uma dicção que testemunha a crise da própria linguagem ficcional, obrigando-a à renovação de seus componentes estruturais, à exibição crítica e irônica da fragilidade de suas pseudo-certezas.

Em Não entres tão depressa nessa noite escura, a escritura de Lobo Antunes, consciente e sistematicamente, chama a atenção para seu status de artefato, levantando questões sobre a relação entre ficção e realidade. Ao promover a crítica de seus próprios métodos de construção, esse tipo de escritura não apenas examina as estruturas fundamentais da narrativa de ficção, como também explora o possível caráter ilusório do próprio mundo exterior, que quase sempre confundimos com o real, criando assim um diálogo de surdos, em que realidade e ficção se fundem e se confundem, sem possibilidade de distinção entre uma e outra.

Diana Navas é mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e doutoranda em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Atualmente, ministra aulas referentes ao ensino de literatura e língua portuguesa em cursos de graduação e pós-graduação.

Serviço:

Narcisismo Discursivo E Metaficção – António Lobo Antunes e a Revolução do Romance
Diana Navas

Scortecci Editora
História
ISBN 978-85-366-1525-7
Formato 14 X 21 cm 
176 páginas
1ª edição - 2009

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