NO VERÃO, O MUNDO É NOSSO / Lucília Junqueira de Almeida Prado

A autora deste livro domina a novela, gênero médio de ficção, com maestria. Filia-se à linha checoviana de enredo aberto, livre, sempre essencial.

Os exemplos estão aqui e em várias outras obras dela. As histórias neste livro fluem com uma naturalidade tocante, abordem temas de maior dramaticidade ou não. É de uma sobriedade que enriquece a sua própria linguagem literária, personalíssima. Se os dramas são assim humaníssimos, as tramas que os tecem fluem sem falsos brilhos ou sustos, e o leitor sente-se presente e quase participante deles.

Claro que há histórias mais pulsantes que outras; claro que se palpita mais com umas do que com outras; claro, porém, que é assim o jogo da Vida, e a autora o retrata tal como ele é.

Sua geografia é muito ampla. Seja o tema interiorano ou citadino, em qualquer região geográfica, a riqueza criadora dela não se desnivela. Há uma predileção natural pelos ambientes rurais, projeção da sua longa vivência no meio. No ambiente urbano, onde também muito viveu e conhece, há uma floração e amostragem de verde nas paisagens, dando-lhes, levada pelo inconsciente criador, uma certa sombra ecológica, espiritualizando-o. Joga com as emoções através dos diálogos, vivos, oportunos, não se valendo nunca de apelos linguísticos fora do coloquial e familiar. Escritora voltada para a classe média, nunca desborda para o regionalismo estreito e superado.

Aqui caminha a autora, da paisagem de festa alegre e jovial, no texto que abre o livro, para a aflição de drama no segundo, ao choque de emoções no terceiro, ambientado no Pantanal Mato-grossense.

Não há como citar, um por um, cada texto, com suas felicidades e tristezas próprias. Mas nos deteremos, em particular, na longa novela "Jornada sem volta", onde avulta pulsação de pena e dor no seu final, em andamento e decantação de quase perplexidade. A descrição da doença de personagem muito importante na história cala fundo em qualquer leitor.

E o notável é que, nem por isso, a escritora desborda para apelações aflitivas. Seu impulso narrativo e criador é o mesmo, com aquela leveza e sutileza bem dela. Com isso, o amplo drama familiar, que se afunila com a doença, dói muito mais.

Por tais méritos, valendo-se desta variedade criadora, lírica, humana, realista, impressionista, numa sucessão de paisagens geográficas e de almas, Lucília Junqueira de Almeida Prado emblematiza e eterniza os universos de suas criações, nascidos de uma sensibilidade quase epidérmica, de uma vida vivida, resgatada e transfigurada em arte escrita.

No Verão, o Mundo é Nosso, é o título do livro. Mas este mundo também é do leitor. Podem crer.

Caio Porfírio Carneiro   

Lucília nasceu em São Paulo. Passou toda a sua infância numa fazenda perto da cidade de Conquista, no Triângulo Mineiro. Voltou a São Paulo para fazer o ginásio no Colégio das Cônegas de Santo Agostinho (mais conhecido como “Dês Oiseaux”). Terminando este curso, fez Secretariado, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e alguns cursos de literatura. Sempre gostou muito de Português, e do professor da matéria José Adelino D'Azevedo, guarda as melhores recordações e a alegria de ter sido ele o primeiro a vaticinar que ela seria escritora. Chamava-a para ler suas composições e narrações, de frente para a classe, sobre o estrado onde ficava sua escrivaninha. Quando terminava, ele, que era português nato, tendo um metro e meio de altura, passava o braço pelas suas costas e dizia: “A m'inina vai ser escritora! A m'inina vai ser escritora!”. Aos 19 anos casou-se com um fazendeiro e voltou a morar numa fazenda entre as cidades de Orlândia e Morro Agudo. Assim realizou um sonho: voltar a morar no interior com tempo para muito escrever. Tem cinco filhos, onze netos e, por enquanto, cinco bisnetos. Este é seu sexto livro de contos para adultos, pois que o primeiro chama-se "Cheiro de Terra", seguido de "A Vida tem Alvoradas", "O Sonho de Cada Um", "Presente de Natal" e "O Ipê Floresce em Agosto". Até então escrevera já 65 livros para a infância e juventude. Com seu segundo livro “Uma rua como aquela” ganhou o Jabuti 1971. Tem mais 8 prêmios sendo o mais importante o do “Pen Clube Internacional” pelo conjunto de sua obra. Lucília foi presidente da “Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil” nos anos de 1980 e 1981. Em 1980 ganhou o diploma “Personalidade do Ano”.

Serviço:

No Verão, o Mundo é Nosso
Lucília Junqueira de Almeida Prado

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-1582-0
Formato 16 X 23 cm 
304 páginas
1ª edição - 2009

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