RESPONDA À MINHA TERNURA / Lucília Junqueira de Almeida Prado

Responda à Minha Ternura, que dá título ao livro, pela extensão narrativa aproxima-se do romance. É, porém, uma novela longa, centrada numa fazenda gaúcha, com uma figura central, no leme dela, e família de muitos membros. Os transbordamentos para outras áreas geográficas não esmaecem o fulcro fazendeiro dos pampas. Fora dele exsurgem também emoções outras, que ampliam o raio de ação da família. Pouco vimos um drama familiar, tão marcante do chão gaúcho, escrito por uma autora de vida sertaneja e citadina paulista. Pois através do conhecimento da região e da sua gente, entrou ela na vida, na geografia e costumes de um vasto chão de tantas particularidades e peculiaridades, do histórico ao econômico e à alma dos habitantes. Conseguiu isto valendo-se da sua notável sensibilidade criadora. É o que afirmamos sempre: Lucília Junqueira de Almeida Prado é cósmica geograficamente quando ficciona.

Temos, assim, diante dos olhos a história vívida e palpável de uma fazenda gaúcha, com uma personagem, chefe do clã, que é um achado literário, e filhos, parentes, netos, aderentes, tal qual uma família ao mesmo tempo una e de muitas faces, com suas alegrias dores, acidentes, amores e entreveros da vida.

Passa-se o enredo nos finais dos anos vinte e início dos anos trinta do século que se foi. Com isto vêm ao vivo as lutas políticas da época e a convulsão revolucionária de 1932, em São Paulo. Entra muito a história política de então, que alcança membros da fazenda e envolve o seu chefe em muitas emoções inesperadas. Drama humaníssimo e forte, a pedir adaptação para o cinema.

Segue-se a bela história – A menina que viajou no disco voador. É outro universo ficcional. Tem tudo de ficção para a juventude e tudo tem, pelo andamento e vivacidade narrativa, para além da originalidade do tema, de sinalizações curiosas para o adulto, porque alcança e mostra, numa vertente fantástica bem dialogada, o problema ecológico. Como sempre, a autora é uma lançadeira nos diálogos oportuníssimos. Através deles os extraterrestres humanizam-se, e o leitor também entra no disco ao lado da menina. Brilhante a habilidade da autora em conduzir uma história dessa natureza, fazendo a fantasia transmudar-se em realidade e, sem entrar no processo narrativo, põe em relevo os erros humanos diante da natureza. Como nos bons filmes para jovens, os adultos que lerem esta história sairão dela com a mão na consciência. Esta ficção, de vertente fantástica, é palpável e vem a relevo em pura realidade.

O terceiro texto, curtíssimo, - Por causa do amor -, é criação infantil. Sutil e poética como as asas destas mariposas. É um sopro de luz e amor para o coração dos leitores infantis.

Esta obra é uma prova a mais da versatilidade da autora. Do drama forte para adulto vai, em pandas velas, ao mundo curioso dos jovens, e chega, num arremate benfazejo, à alma das crianças, pequenas luminárias do futuro.

Gradação criadora em três vertentes de uma escritora de primeiro plano.
Caio Porfírio Carneiro

Lucília nasceu em São Paulo. Passou toda a sua infância numa fazenda perto da cidade de Conquista, no Triângulo Mineiro. Voltou a São Paulo para fazer o ginásio no Colégio das Cônegas de Santo Agostinho (mais conhecido como “Dês Oiseaux”). Terminando este curso, fez Secretariado, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e alguns cursos de literatura. Sempre gostou muito de Português, e do professor da matéria José Adelino D'Azevedo, guarda as melhores recordações e a alegria de ter sido ele o primeiro a vaticinar que ela seria escritora. Chamava-a para ler suas composições e narrações, de frente para a classe, sobre o estrado onde ficava sua escrivaninha. Quando terminava, ele, que era português nato, tendo um metro e meio de altura, passava o braço pelas suas costas e dizia: “A m'inina vai ser escritora! A m'inina vai ser escritora!” Aos 19 anos casou-se com um fazendeiro e voltou a morar numa fazenda entre as cidades de Orlândia e Morro Agudo. Assim realizou um sonho: voltar a morar no interior com tempo para muito escrever. Tem cinco filhos, onze netos e, por enquanto, cinco bisnetos. Este é seu sétimo livro de contos para adultos, pois que o primeiro chama-se "Cheiro de Terra", seguido de "A Vida tem Alvoradas", "O Sonho de Cada Um", "Presente de Natal",  "O Ipê Floresce em Agosto" e "No Verão o Mundo é Nosso". Até então escrevera já 65 livros para a infância e juventude. Com seu segundo livro “Uma rua como aquela” ganhou o Jabuti 1971. Tem mais 8 prêmios sendo o mais importante o do “Pen Clube Internacional” pelo conjunto de sua obra. Lucília foi presidente da “Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil” nos anos de 1980 e 1981. Em 1980 ganhou o diploma “Personalidade do Ano”.

Serviço:

Responda à Minha Ternura
Lucília Junqueira de Almeida Prado
Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-1599-8
Formato 16 X 23 cm 
304 páginas
1ª edição - 2009

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