NO TEMPO DAS SALGA-BUNDAS / Luiz Roberto Judice

A paisagem é pedra bruta que não consegue e não quer ser polida, projetando-se contra o céu.

Também são de pedra bruta os personagens, que se recusam à lapidação que poderia ser levada a efeito pelo mestre artífice, que pretende modificar o destino da comunidade.

Altivos, como o paredão da Pedra do Cachorro, recusam o malho e o cinzel.

No tempo das Salga-bundas, poema-romance do consagrado escritor poços-caldense Luiz Roberto Judice, não é só mais uma his(es)tória dos sertões de Minas Gerais, é mais do que isso: uma verdadeira aula de literatura, cheia de simbolismo, confrontando o romantismo do poeta que ama o amor, com o realismo da mulher que ama, mas que deseja a segurança e prefere esta àquele.

Confronta-se o idealismo romântico dos poucos que pretendem a transformação da sociedade com o realismo dos donos da terra e das almas.

Tudo igual ao menino Nego que se recusa a comer, a despeito da insistência e dedicação da mãe.

Na batalha vence o realismo. O poeta perde para a mulher. O idealista perde para os brutos.

Tudo caminha para a mesmice.

A pedra continua bruta.

A comunidade submissa.

O menino morre de inanição.

A narrativa é feita por quem conhece o seu ofício. Judice é perfeccionista. Seu nome deve ser gravado junto aos dos grandes, como Mário Palmério, Graciliano Ramos, José Lins do Rego. Cada palavra é estudada, repensada e própria para o local onde foi aplicada.

A his(es)tória faz meditar: – Vale a pena tentar lapidar o granito, se este não quer ser lapidado?

A obra não traz resposta. Apenas sugere. E, na sugestão, ao contrário da narrativa, o romancista-autor perde para o poeta-autor. O romantismo vence o realismo, pois, embora esmagadas, fica no ar, como uma esperança, o perfume das flores do manjericão.
Antonio Luiz Fontella
Advogado, escritor e jornalista


Luiz Roberto Judice é natural de Poços de Caldas. Aos quinze anos de idade escreveu seus primeiros versos e desde então tem se dedicado à literatura, principalmente à poesia. Em março de 1968 mudou-se para São Paulo onde, oito meses depois, aos vinte e dois anos, publicou seu primeiro livro de versos: Flores Murchas, acolhido pela crítica literária da época como o “prenúncio de um grande poeta por vir”. De 1969 a 1978 participou de vários festivais de Música Popular Brasileira, como autor musical, colecionando uma enorme bagagem de primeiros lugares e outras excelentes colocações. Luiz Roberto Judice chegou a gravar vários discos com o cantor Durval Souto, tendo algumas de suas músicas alcançado grande projeção, caso de Maria Rita que fez enorme sucesso em Lisboa e João Magro. Luiz Roberto só viria a publicar seu segundo livro - Lira de Quatro Cordas, em 1994. No ano seguinte dava ao lume Pérolas de Fogo, apontado pela crítica literária como obra preciosíssima. Em 1996 surgia seu quarto livro: Ramalhete de Sonetos editado pela Secretaria Municipal de Educação do Município. No ano de 1997 participou, com outros dezesseis poetas escolhidos a dedo, da coletânea de poemas clássicos Saciedade dos Poetas Vivos, da Editora Blocos, do Rio de Janeiro. Estreou no romance com Sinhazinha, A Dama do Charco, em 2002. Seu último livro A Gripe Espanhola em Poços de Caldas – 1918, publicado em 2006, alcançou grande sucesso, tendo o autor antevisto a atual pandemia de influenza com muita antecedência. Foi por muito tempo colaborador dos jornais Gazeta do Ipiranga (São Paulo) e Jornal da Cidade (Poços de Caldas) escrevendo crônicas e poesias. É formado em Administração de Empresas pela Universidade São Marcos e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica – PUC. Pertence a várias agremiações literárias.

Serviço:

No Tempo Das Salga-bundas
Luiz Roberto Judice
Scortecci Editora
Romance
ISBN 978-85-366-1586-8
Formato 14 X 21 cm 
168 páginas
1ª edição - 2009

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