MEUS DOIS PRIMEIROS LIVROS / Lucília Junqueira de Almeida Prado

Lucília Junqueira de Almeida Prado informa, em nota inserida entre os dois livros que reúne neste volume, que "Rei do Mundo" foi o primeiro publicado, ganhando, com ele, o prêmio “Livro do Mês”. O outro, que se une a este, ganhou o prêmio Jabuti de Literatura Juvenil 1971. Vê-se, então, claramente, que a autora começou por onde muitos outros autores terminam.

O romance, em síntese, é a vida e apego do menino ao seu belo animal, depois de peripécias, e até pequenas angústias, para vê-lo campeão, em concorrida disputa na cidade grande. A vida interiorana, o circo e suas perplexidades, as emoções continuadas, fazem dele e do animal verdadeiros símbolos de apreço e carinho aos animais. Este romance, estreia da Lucília Junqueira de Almeida Prado, talvez seja, na sua obra, uma das criações de mais emoções continuadas aos olhos e coração de qualquer leitor, sem se voltar para uma vertente intimista, porque o palmilhar da história é sempre fotográfico. Ela, a história, é a um tempo a alma do menino, a alma da vida interiorana e a alma da cidade grande, que a autora não descreve – a capital – mas deixa entrevê-la em lapsos ligeiros e descritivos e através da conduta da personagem. É uma história de Amor, no que tenha isto de benquerença e relacionamentos humanos tão ricamente sensíveis. Eis aqui, por isto tudo, uma transfiguração criadora de primeiro plano. Uma aventura voltada ao que de melhor palpita na sensibilidade humana.

"Uma rua como aquela" é uma  ciranda de tipos os mais diversos de uma rua. Um drama de vidas diversas como de muitas ruas, mas tão bem delineadas que parecem nossos vizinhos. A meninada, os adultos, os entreveros miúdos, o futebol (não poderia faltar...), certas criaturas marcantes, a partir do Avarento, para só citar este, porejam, dão vida, cor e alma à rua. E as novidades da época, como a viagem do homem à Lua. Lê-se o texto de uma corrida, porque o leitor palpita com a oportunidade dos diálogos, constantes e vivos, entre jovens e adultos. A curiosidade aumenta de página para página. Nota-se, claramente, que não é fácil, não é para qualquer ficcionista, conduzir a vida de uma rua e extrair dela tanta beleza e riqueza humana de tantos personagens, um pequeno universo de particularidades e relacionamentos entre eles. Sem o veio misterioso do talento muito do narrativo dessa “teia” se dispersaria. Pois tudo aqui anda e até desanda como a vida, na vida dessas criaturas que moram numa rua... O problema, verdadeiro achado, é mostrar a rua por dentro, o seu coração pulsante. E a autora não apenas fez isto muito bem: deu uma lição notável, para não dizer fulgurante, de como viveu, no tempo e no espaço, essa rua dos fins da década de sessenta do século que passou. Eternizou-a, tal como o poeta Manoel Bandeira eternizou o beco no seu belo poema.

Assim foi, nobremente assim, que Lucília Junqueira de Almeida Prado deu os primeiros passos nas letras. Ninguém, jamais, lendo estes dois livros, esquecerá o menino Raimundo e o cavalo Trapézio, esquecerá aquela rua e seus moradores.

Não esquecerá mesmo.

Caio Porfírio Carneiro, SP, 03/11/09

Lucília nasceu em São Paulo. Passou toda a sua infância numa fazenda perto da cidade de Conquista, no Triângulo Mineiro. Voltou a São Paulo para fazer o ginásio no Colégio das Cônegas de Santo Agostinho (mais conhecido como “Dês Oiseaux”). Terminando este curso, fez Secretariado, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e alguns cursos de literatura. Sempre gostou muito de Português, e do professor da matéria, José Adelino D'Azevedo, guarda as melhores recordações e a alegria de ter sido ele o primeiro a vaticinar que ela seria escritora. Chamava-a para ler suas composições e narrações, de frente para a classe, sobre o estrado onde ficava sua escrivaninha. Quando terminava, ele, que era português nato, tendo um metro e meio de altura, passava o braço pelas suas costas e dizia: “A m'inina vai ser escritora! A m'inina vai ser escritora!” Aos 19 anos casou-se com um fazendeiro e voltou a morar numa fazenda entre as cidades de Orlândia e Morro Agudo. Assim realizou um sonho: voltar a morar no interior com tempo para muito escrever. Tem cinco filhos, onze netos e, por enquanto, cinco bisnetos. Este é seu nono livro de contos para adultos, pois que o primeiro chama-se "Cheiro de Terra", seguido de "A Vida tem Alvoradas", "O Sonho de Cada Um", "Presente de Natal",  "O Ipê Floresce em Agosto",  "No Verão o Mundo é Nosso", "Antes que o Sol Apareça" e "Responda à Minha Ternura". Até então escrevera já 65 livros para a infância e juventude. Com seu segundo livro “Uma rua como aquela” ganhou o Jabuti 1971. Tem mais 8 prêmios sendo o mais importante o do “Pen Clube Internacional” pelo conjunto de sua obra. Lucília foi presidente da “Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil” nos anos de 1980 e 1981. Em 1980 ganhou o diploma “Personalidade do Ano”.

Serviço:

Meus Dois Primeiros Livros
Lucília Junqueira de Almeida Prado

Scortecci Editora
Romance
ISBN 978-85-366-1712-1
Formato 16 X 23 cm 
328 páginas
1ª edição - 2010

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