ANTES QUE O SOL APAREÇA / Lucília Junqueira de Almeida Prado

Os textos de Lucília Junqueira de Almeida Prado, de quaisquer dos gêneros literários que escreveu – e seu arco criador alcança todos os gêneros de ficção, incluindo a poesia – podem ser apreciados e analisados dos mais diversos ângulos, que todos eles levitam e se plasmam em específicas e personalíssimas emanações artísticas. Nada desta escritora divaga, esconde-se ou se dispersa em escorregadias “originalidades” literárias. Tudo é imediatamente objetivo e tangível. As frases armam-se e se encadeiam numa aparente despretensiosidade, quando, ao revez, guardam e resguardam o fluxo criador que delas emana. Joga, quase sempre, o psicológico para as falas e comportamento das personagens.

Necessária esta reafirmação, por tratar-se de escritora múltipla ou multifacetada, tal como a Vida, qualquer Vida, com seus encontros e desencontros.

O romance volta-se para um drama social e humano, envolvendo o universo familiar centrado nos que mourejam na lida rural, muitos da área dos boias-frias, sem horizontes à vista. O fulcro é uma família e o chefe do clã, e se irradia para além deles. A família cresce e se multiplica, envolvendo a geografia da região, do interior paulista, e os relacionamentos do meio social em que vivem. Fosse apenas isto e já seria muito. Isto, porém, é a ponta do novelo que se vai deslindando aos nossos olhos, como num filme preto e branco.
História focalizada nos meados da segunda metade do século que passou. Tudo palpitadamente presente porque, embora as mudanças civilizatórias, sombreia ainda a face do País esses desníveis sociais. A autora, conhecedora de perto dessas vidas, mostra-as apenas e, com sua força narrativa, arrasta o leitor para com elas conviver. Isto é Arte, história e História, no melhor sentido. Não há como contá-la. É lê-la e senti-la por inteiro.

Lucília Junqueira passa, num passe de mágica - é bem o termo - desse drama humaníssimo (que nos leva a mão à consciência e nos faz ficar querendo bem a essa gente simples), à paisagem quase dançante da novela "A Baía dos Golfinhos", história juvenil contraponto ao romance anterior. Eis porque a autora é mágica. Entra no mundo dos jovens tal como o fez no dos bóias-frias. Na paisagem de Fernando de Noronha toma-se um banho de turismo. O filme não é mais preto e branco. Colore-se de vários matizes e se rejuvenesce com a moçada, suas reinações e curiosidades.

E o que dizer de "Joãozinho do trem", história infantil que se segue? Nada. A “vibração” dele e dos que o cercam dizem tudo. Até o susto porque passa e o acidente que sofre não alteram a pulsação narrativa da história, que é para crianças, mas ao alcance de qualquer adulto.

Como deslinda bem qualquer trama esta escritora, com leveza de trato e força expressiva... Tal como ela diz no final do poema, de sua autoria, que abre o romance: “... como é verde a minha terra!” Completamos: E como navega bem na arte escrita e lhe dá dimensões tão variadas...

É ler para crer.

Caio Porfírio Carneiro, SP, 31/10/09

Lucília nasceu em São Paulo. Passou toda a sua infância numa fazenda perto da cidade de Conquista, no Triângulo Mineiro. Voltou a São Paulo para fazer o ginásio no Colégio das Cônegas de Santo Agostinho (mais conhecido como “Dês Oiseaux”). Terminando este curso, fez Secretariado, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e alguns cursos de literatura. Sempre gostou muito de Português, e do professor da matéria, José Adelino D'Azevedo, guarda as melhores recordações e a alegria de ter sido ele o primeiro a vaticinar que ela seria escritora. Chamava-a para ler suas composições e narrações, de frente para a classe, sobre o estrado onde ficava sua escrivaninha. Quando terminava, ele, que era português nato, tendo um metro e meio de altura, passava o braço pelas suas costas e dizia: “A m'inina vai ser escritora! A m'inina vai ser escritora!” Aos 19 anos casou-se com um fazendeiro e voltou a morar numa fazenda entre as cidades de Orlândia e Morro Agudo. Assim realizou um sonho: voltar a morar no interior com tempo para muito escrever. Tem cinco filhos, onze netos e, por enquanto, cinco bisnetos. Este é seu nono livro de contos para adultos, pois que o primeiro chama-se "Cheiro de Terra", seguido de "A Vida tem Alvoradas", "O Sonho de Cada Um", "Presente de Natal",  "O Ipê Floresce em Agosto",  "No Verão o Mundo é Nosso", "Antes que o Sol Apareça" e "Responda à Minha Ternura". Até então escrevera já 65 livros para a infância e juventude. Com seu segundo livro “Uma rua como aquela” ganhou o Jabuti 1971. Tem mais 8 prêmios sendo o mais importante o do “Pen Clube Internacional” pelo conjunto de sua obra. Lucília foi presidente da “Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil” nos anos de 1980 e 1981. Em 1980 ganhou o diploma “Personalidade do Ano”.

Serviço:

Antes Que o Sol Apareça
Lucília Junqueira de Almeida Prado

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-1711-4
Formato 16 X 23 cm 
320 páginas
1ª edição - 2010

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