LUTO DA ESPERANÇA E OUTROS CONTOS / Roberto Grave

Vencedor da Categoria Conto e Crônica do VIII Prêmio Literário Livraria Asabeça 2009 - Escrever é uma forma de elaborar e organizar conflitos e angústias internas; todos somos capazes de fazer. Mas criar um texto de ficção e dar forma a uma idéia caracteriza a literatura arte. Conseguir se expressar de maneira estética e com sentido claro é privilégio de poucos. Um texto literário adquire vida na interação com o leitor, nos envolve em nossas próprias emoções e permite a cada pessoa criar um texto “interno” único através do escritor. Tenho a impressão de que arte é isso, ou seja, algo que tem um autor, que existe, que objetiva uma emoção, mas que ao mesmo tempo propicia a criação em quem a usufrui.

Roberto consegue com seus contos mobilizar sentimentos esquecidos e nos deixar inquietos, com uma sensação de querer mais. Contos têm de ser assim: despertar uma solução fantasiada de cada leitor através de um final aberto.

A obra é composta por oito contos, todos com essas características. O autor traz as tragédias da vida com certo humor, mas sempre de maneira impactante.

Em “O apagão” nos traz um alcoólatra em plena consciência de sua culpa e de sua autodestruição, mas em paz com suas perdas. “(Des)caminhos” é uma obra prima, pois nos confronta com a vida e com o inusitado que pode mudar completamente o rumo de nossas existências. “Filhos da Pureza” é surrealista, inquietante e nos confronta com os perigos do desejar. “Luto da Esperança” apresenta a melancolia e a perda do sentido da vida de forma desesperada. Em “O casamento” nos confronta com o equívoco que é a certeza e nos deixa pasmados. “Morro antes que seja tarde!” é o encontro com a verdade que muitas vezes é insuportável. “Mulher-dama” é comovente e traz a fidelidade ao amor. “Injustiçada agressora” nos mostra o quanto o ser humano é frágil e surpreende por deixar claro o preço que se paga para manter o objeto de amor.

Vale notar que em todos existe um jogo de palavras que pode passar despercebido a primeira vista, como por exemplo, “Filhos da Pureza” e “Luto da esperança”. Os títulos são pertinentes e dizem muito.

De forma proposital fiz apenas um pequeno apanhado do livro, pois não posso tirar o direito do leitor de se surpreender e se deleitar com a leitura desses contos que sem qualquer favor são “verdadeiras jóias literárias”. Sérgio Kehdy

Nascido na capital baiana em julho de 1953, Roberto Grave é Tenente Coronel da Reserva da Polícia Militar. Aposentado, buscou na escrita combater o tédio e descobriu uma ocupação bastante prazerosa. Iniciou em 2004 com uma série de reflexões que resultou em uma coletânea de quarenta textos intitulada Ensaio da Razão, considerada pelo autor impublicável, pelo caráter pessoal. Neste primeiro trabalho quase terapêutico, o autor radiografa-se, analisa-se, psicografa-se. Compartilhou o que podia desta confissão com a família e poucos amigos, que o incentivaram a perseguir no ofício de escrever. Consciente da impossibilidade de ser lido, fato deveras impensável para qualquer um que se aventure nesta arte, entendeu que era hora de dar um tempo nas reflexões e partir rumo à ficção. Aconselhado por um amigo escritor, Miguel Dias, enveredou nos contos, e assim nasceu (Des) Caminhos, logo em seguida O Casamento, únicas produções desta primeira fase (2007) publicadas neste seu primeiro livro. Outros cinco chegaram no período de dois meses. Enfrenta nesta fase alguma dificuldade em desarvergonhar-se diante de alguns personagens, que precisa viver para dar vida. Ainda cheio de pudores, refugia-se no conhecimento maior da literatura, particularmente a nacional. Sua autocrítica revela uma imensidão literária por conhecer, e parte então em busca do tempo perdido, priorizando a leitura de clássicos inimaginavelmente nunca lidos. Disciplina-se, só retornando à escrita no início de 2009 (segunda fase) graças, principalmente, ao incentivo de amigos mineiros. Acredita que a inquietante parada lhe permitiu enfim colocar um pouco do seu DNA em suas crias. Mostrou-se 2009 um ano bastante produtivo e quase duas dezenas de contos surgem neste período, inclusive o Luto da Esperança, conto premiado que ensejou esta publicação, e que o conduziu à sua primeira participação em um concurso literário. Hoje, quando não está labutando com a palavra, inquieta-se. Assim, escrever passou a ser sua grande paixão, e como toda paixão, uma necessidade. Acalma, ocupa, deixa-o feliz, e prazerosamente vai dando cria.

Serviço:

Luto da Esperança e Outros Contos
Roberto Grave

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-1748-0
Formato 14 X 21 cm 
80 páginas
1ª edição - 2010

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