O DESTINO MORA NO CORAÇÃO / Lucília Junqueira de Almeida Prado

Somente uma escritora de fértil imaginação e notável habilidade criadora para escrever um romance como este – O Destino Mora no Coração. Centrado ao correr da Segunda Grande Guerra, mais precisamente no início da década de quarenta do século que passou, a história se resume numa viagem de navio, onde vão um casal amoroso e amigos que nele se encontram, o torpedeamento do navio e as aflições dos náufragos que se salvam numa ilha, com todos os danos de uma tragédia assim, e lá sobrevivem por um bom tempo. Este é o arco ficcional, surpreendente, com os sustos esperados e inesperados dos tempos de guerra. O que se dá, porém, é que a autora transforma tudo em um pulsar curioso e palpitante, eis que joga o enredo para as falas, num narrativo continuado, bem do seu impulso criador, com pouquíssimo de descritivo.

O andamento da viagem, do Rio de Janeiro a Recife, é um suceder de encontros e vida alegre entre os passageiros, com músicas, danças e refeições, mas se vê – e como se vê... – que há um mundo de gente no navio. Deixa a autora que o leitor ficcione também, compondo, com a sua imaginação, o quadro todo. Através das conversas continuadas, atitudes, comportamentos e elípticas amostragens descritivas a autora desce fundo na vida de cada um na caminhada navegante do navio. Dá alma a tudo, a partir do casal amoroso e feliz. O leitor viaja também. A guerra se expande, do Pacífico à África e à frente russa.

Quando o navio é torpedeado o leitor se sente também jogado às ondas. É um drama inesperado e não será qualquer bom escritor que o descreverá com tanto verismo.

A ilha salvadora é, igualmente, salvadora para o leitor, inserido na tragédia. A sobrevivência leva consigo as dores profundas de Paula – vértice central do livro – sem demérito para os demais, que com ela se salvam. E é quando a obra cresce em suas ações múltiplas, com o poder de individualização de cada personagem.

O notável é que, seja na viagem marítima ou na vida na ilha, o romance, dentro dessa dualidade, não perde a unidade narrativa e emocional, porque Lucília faz sempre uma literatura consequente, até quando fantasia. Tudo é muito humano, ricamente pulsante e verdadeiro. Mostra, sem descrevê-la, a barbaridade da guerra, do que são feitas as criaturas dentro dela e de suas tragédias.

Mas se ficam as feridas e cicatrizes doídas, o Amor é sinal sensível e salvador para tudo, dentro do espaço e do tempo. Que diga o coração de Paula.

Soma-se ao romance um outro para adolescentes e um conto infantil. O romance Afinal é a felicidade, pouco mais que uma novela, é uma emoção só: a escola, a vida social, a família, o campo, e as dores que levam às moléstias. Bem centrado no espírito juvenil, com um final que merece ao estudante, personagem vívida da história, uma salva de palmas.

O conto infantil é uma bela fábula ecológica. Uma lição de vida e desprendimento para leitor de qualquer idade.

Apesar da simplicidade, Lucília Junqueira de Almeida Prado não foge nunca das complexidades psicológicas, para qualquer nível de idade.

Aqui mais uma prova.
 
SP 27/04/210
Caio Porfírio Carneiro

Lucília Junqueira de Almeida Prado nasceu em São Paulo. Passou toda a sua infância numa fazenda perto da cidade de Conquista, no Triângulo Mineiro. Voltou a São Paulo para fazer o ginásio no Colégio das Cônegas de Santo Agostinho (mais conhecido como “Dês Oiseaux”). Terminando este curso, fez Secretariado, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e alguns cursos de literatura. Sempre gostou muito de Português, e do professor da matéria, José Adelino D'Azevedo, guarda as melhores recordações e a alegria de ter sido ele o primeiro a vaticinar que ela seria escritora. Chamava-a para ler suas composições e narrações, de frente para a classe, sobre o estrado onde ficava sua escrivaninha. Quando terminava, ele, que era português nato, tendo um metro e meio de altura, passava o braço pelas suas costas e dizia: “A m'inina vai ser escritora! A m'inina vai ser escritora!” Aos 19 anos casou-se com um fazendeiro e voltou a morar numa fazenda entre as cidades de Orlândia e Morro Agudo. Assim realizou um sonho: voltar a morar no interior com tempo para muito escrever. Tem cinco filhos, onze netos e, por enquanto, cinco bisnetos. Este é seu décimo segundo livro de contos para adultos, pois que o primeiro chama-se "Cheiro de Terra", seguido de "A Vida tem Alvoradas", "O Sonho de Cada Um", "Presente de Natal",  "O Ipê Floresce em Agosto", "No Verão o Mundo é Nosso", "Responda à Minha Ternura", "Antes que o Sol Apareça", "Meus Dois Primeiros Livros", "Viver Vale a Pena" e "Obrigado por você existir". Até então escrevera já 65 livros para a infância e juventude. Com seu segundo livro “Uma Rua Como Aquela” ganhou o Jabuti 1971. Tem mais 8 prêmios sendo o mais importante o do “Pen Clube Internacional” pelo conjunto de sua obra. Lucília foi presidente da “Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil” nos anos de 1980 e 1981. Em 1980 ganhou o diploma “Personalidade do Ano”.

Serviço:

O Destino Mora no Coração
Lucília Junqueira de Almeida Prado

Scortecci Editora
Romance
ISBN 978-85-366-1804-3
Formato 16 X 23 cm 
304 páginas
1ª edição - 2010

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