O AMOR É UM PÁSSARO VERMELHO - Lucília Junqueira de Almeida Prado

Este livro – O Amor é um  Pássaro Vermelho –, a um tempo histórico e doído, conta a vinda de uma família de imigrantes japoneses para o Brasil, mais precisamente para a lavoura cafeeira no Estado de São Paulo. Trazem um “filho adotivo”, arranjo burocrático exigido pelas leis japonesas, e veem à procura do filho legítimo que não dera mais notícias.

Este é o pano de fundo ou as linhas gerais do enredo, porque o que sobressai, de pronto, são os dramas vividos pelos que aqui chegaram do Oriente, um tanto visionários, buscando plantar arroz, enriquecer e retornar à pátria. Deparam-se com outra realidade.

É então quando o leitor participa (mais do que vê e sente) do drama dessas criaturas. A autora conhece muito de perto o assunto, ficciona-o maravilhosamente bem, num vai e vem um tanto desnorteante e sofrido para destiná-los às fazendas e fazê-los viver outra realidade, que não é o “El-dorado” sonhado. E Tadashi, o “filho adotivo”, passa a ser a “luz de popa” da história e o seu sinal mais sensível.

Os imigrantes propriamente não se desencantam. É que o mundo rural,  a geografia, os costumes, as  leis, os encontros e desencontros sociais são diferentes dos da pátria distante. Nada em Lucília choca, porque ela não se afasta do fato verdadeiro nem desborda para denúncias próximas da fantasia. Mostra apenas o reverso da medalha, a vida dos iniciantes nas plantações cafeeiras, até se adaptarem – e como se adaptam bem... – a outro sistema de vida.

E por ser assim, e assim ficcionado, temos aqui um verdadeiro filme em preto e branco, a História de imigrantes japoneses, chegados antes do início da Segunda Grande Guerra. Uma história que caminha em palpitações constantes, de final impactante e feliz. O conto seguinte – A Terra é azul – centra-se numa família muito humilde. Poderia ser resumido numa frase: “O menino e seu cachorro”, eis que as peripécias da vida sofrida envolvem os dois em veredas quase intransponíveis.

Tudo é emoção continuada, do começo ao fim. É lê-lo, senti-lo e... relê-lo, porque nos pequenos dramas é onde estão as grandes pulsações da vida, onde tudo é simples, bem real e verdadeiro. E como Lucília conduz bem a história... É o menino, o seu cachorro e os tropeços, inclusive familiares, que o envolvem. Vale a pena repetir: é lê-lo, relê-lo... e   voltar a ler.

Um Canguru na selva é um curiosíssimo conto longo ou novela curta. Lucília cria fábulas com uma espantosa facilidade. Sempre com um objetivo inserido no texto, mas fugindo, e já repetimos, do didatismo imediato. O canguru australiano sabe o que faz. É para se fascinar com ele e com a arte inventiva da autora. Nisto sou monocórdico: leio tudo o que esta autora escreve. Façam o mesmo e comprovem o seu valor.
SP 28/04/2010                                                     
Caio Porfírio Carneiro

Lucília nasceu em São Paulo. Passou toda a sua infância numa fazenda perto da cidade de Conquista, no Triângulo Mineiro. Voltou a São Paulo para fazer o ginásio no Colégio das Cônegas de Santo Agostinho (mais conhecido como “Dês Oiseaux”). Terminando este curso, fez Secretariado, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e alguns cursos de literatura. Sempre gostou muito de Português, e do professor da matéria, José Adelino D'Azevedo, guarda as melhores recordações e a alegria de ter sido ele o primeiro a vaticinar que ela seria escritora. Chamava-a para ler suas composições e narrações, de frente para a classe, sobre o estrado onde ficava sua escrivaninha. Quando terminava, ele, que era português nato, tendo um metro e meio de altura, passava o braço pelas suas costas e dizia: “A m'inina vai ser escritora! A m'inina vai ser escritora!” Aos 19 anos casou-se com um fazendeiro e voltou a morar numa fazenda entre as cidades de Orlândia e Morro Agudo. Assim realizou um sonho: voltar a morar no interior com tempo para muito escrever. Tem cinco filhos, onze netos e, por enquanto, cinco bisnetos. Este é seu décimo terceiro livro de contos para adultos, pois que o primeiro chama-se "Cheiro de Terra", seguido de "A Vida tem Alvoradas", "O Sonho de Cada Um", "Presente de Natal","O Ipê Floresce em Agosto","No Verão o Mundo é Nosso", "Responda à Minha Ternura", "Antes que o Sol Apareça", "Meus Dois Primeiros Livros", "Viver Vale a Pena", "Obrigado por você existir" e "O Destino Mora no Coração". Até então escrevera já 65 livros para a infância e juventude. Com seu segundo livro “Uma rua como aquela” ganhou o Jabuti 1971. Tem mais 8 prêmios sendo o mais importante o do “Pen Clube Internacional” pelo conjunto de sua obra. Lucília foi presidente da “Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil” nos anos de 1980 e 1981. Em 1980 ganhou o diploma “Personalidade do Ano”.

Serviço:

O Amor é Um Pássaro Vermelho
Lucília Junqueira de Almeida Prado

Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-1962-0
Formato 16 x 23 cm 
336 páginas
1ª edição - 2011

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