AS ÉGUAS DE BRASÍLIA / Mary Pego

As éguas de Brasília estão definhando numa fila sistemática que mais parece o Sistema Único de Saúde no Brasil. Clemente, o chefe, pensando apenas em mordomias, deixou Brasília, até então, sua única filha, mal-acostumada e irresponsável quando se trata de negócios. Brasília ocupa o seu tempo com compras. Vive comprando o que há de melhor na cidade, até comprou roupas íntimas tecidas a ouro.

O pai, ao saber, encheu os olhos de satisfação dizendo: “Pra Brasília não tem tempo ruim... Quem pode com Brasília?”. Clemente finge ser manipulado por Leopoldo, seu mordomo (na verdade, o chefe é igual ou pior que o empregado), fazendo com que tanto a família quanto a população fiquem horrorizadas com os seus atos. A pretensão dele é mostrar para o povo que quer somente o bem de sua filha e, então, age assim para defendê-la.

Procura arranjar um marido rico para a moça. O pretendente a genro além de falar direito, para um chefe ignorante em quase todas as questões exigidas a um ser humano que se preze, tem de ter voz grave e, ainda, para piorar a situação, tem de ficar numa fila a se perder de vista, sob um sol escaldante. Acha pouco? E é. O infeliz candidato ainda tem por obrigação mostrar ao chefe que é muito macho (não me pergunte como) e que tem uma quantia indecente (em espécie).

Após exibir provas disponíveis apenas em um banco, a boa aparência acaba sendo uma exigência quase banal para ter Brasília como esposa. Por isso por qualquer desafio que só o vento traz assoprando, ele grita aos quatro cantos: “Qualquer pobre que se aproximar de Brasília apanha na cara de mão aberta”, ou seja... Pobre em excesso não passa por Brasília, porque Brasília é luxo para engravatados. Qual nada! Depois de um bom tempo selecionando, os dois picaretas vendo que os rapazes pobres insistiam em passar pela seleção, resolveram dar um golpe dizendo: “Se um pobre comprar uma égua entra na seleção como um dos pretendentes a Brasília, mas aqui é preto no branco. É melhor uma égua numa mão do que duas voando... É uma égua numa mão e o dinheiro na outra”. Assim, quase todo o pasto foi embora...

Mary Pego, autora do romance O Preço do pecado editado pela mesma editora. A cara da traição está esperando uma oportunidade para poder chocar o mundo por ser baseado em uma história real. Amo estar no meio das crianças e me sinto perto de Deus quando as vejo sorrir. Confesso que quando escrevi o romance A cara da traição foi para desabafar da dor que passei e passo por ter visto alguém maltratando uma delas. Enquanto estava escrevendo chorei o tempo todo por voltar à lembrança. Vale de Ossos é um romance fictício (graças a Deus), mas muito atraente. Vivo escrevendo por gostar da literatura, essa é a minha maior paixão. Escrevi todos os meus romances em lan houses por não ter um computador. Estou confessando não para reclamar, pois sou muito feliz sendo como sou. Claro que desejo melhoras, venho lutando e vou lutar para melhorar, mas, se for pra ser assim, assim será. No decorrer desses anos em que vivi não fiz outra coisa a não ser inventar histórias, cuidar dos filhos, da casa e brincar com as crianças.
Mary Pego

Serviço:

As Éguas de Brasília
Mary Pego

Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-2145-6
Formato 14 x 21 cm 
144 páginas
1ª edição - 2011

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