A CULPA É DO MONOTEÍSMO / Pedro Paulo Ramos Ventura

Motivado pelas notícias de 11 de setembro/2001, quando dois aviões colidiram com as torres gêmeas do World Trade Center nos Estados Unidos, em um dos canais abertos de rede de televisão brasileira, certo comentarista comentou que a culpa é do monoteísmo. Ponderou-se sobre a frase, se de fato fazia algum sentido teológico ou filosófico, portanto, nasceu a ideia de escrevermos este livro.

Não é para profetizarmos o fim do mundo ou dizer algo para os americanos, bem como para os responsáveis dos atentados às torres gêmeas. Nossa intenção é suscitar discussão teológica e filosófica, partindo do pressuposto de que o livre-arbítrio é a mais pura e controvertida essência do ser humano. Destarte, nos perguntamos se o livre-arbítrio é pré-destinado por Deus; se o homem é programado para fazer o bem, ou programado para fazer o mal. De um lado, nos perguntamos sobre a bondade do ser humano e o que se pode entender de bons seres humanos?

E por outro, se a maldade humana é um produto de nossas livres decisões: por que praticamos o mal quando sabemos que o mal é condenado por nossos próprios critérios de juízos e de consciência? Qual a justificativa para praticar o mal? Por outro lado, nos parece que o bem é antagônico à essência humana. Há alguma a justificativa racional e legítima dos terroristas jogarem os aviões às torres gêmeas? Colocamos o termo em destaque porque nosso conceito de terrorista é de que qualquer tipo de mal que se pratique se constitui um terror.

Logo, o ser humano que pratica o mal é um terrorista. Fazendo alguns retrospectos da história da humanidade, não é de nos espantar da ousadia do avanço da ciência, mas também, a própria ciência foi usada para legitimar muitos males. Entre eles a escravidão, as guerras étnicas, abortos, a fome que assola milhares de pessoas ao redor do mundo, a corrupção, a xenofobia, o racismo, etc. São terrores macabros e assombrosos. O paradoxo é que algumas práticas maléficas não são vistas como macabras, assombrantes, são metodicamente justificadas.

O propósito do livro é trabalhar os conceitos do monoteísmo, do livre-arbítrio, da problemática do bem e do mal, numa perspectiva teológica e filosófica, e verificar criticamente se o monoteísmo é um mal que excita os religiosos a lutarem entre si. Os ateus dizem que a religião é um retrocesso para a mente humana e em nada contribui para o avanço da ciência. Perguntamo-nos se o bem e o mal estão estritamente ligados ao livre-arbítrio? De onde nasce o mal? Como isso acontece na mente humana? É um produto da imaginação humana? Ele surge do nada? Como eles surgem em nossa mente? A mente capta o mal ou o mal capta a mente?

Nosso trabalho é tentar explicar como o mal, o bem, assim como o monoteísmo remontam a séculos uma linguagem mitológica, e assim desmitificá-los. Nossa visão antecipada de religião é aquela que respeita a vida, que promove a paz entre os homens de boa vontade; aceitar o diferente, reconhecer no outro co-irmãos criados da mesma substância de um monoteísmo perfeito e em seu estado moral, cuja máxima é o amor. Logo, todos os homens devem a priori ter o amor-altruísta como princípio moral. Quem é o meu próximo? Meu próximo é aquele que é diferente de mim no seu modo, mas uno na sua forma tal como é. Por isso oramos assim: ajudai-nos ó Deus a entender quem és de fato, para que nos compreendamos tal como somos.

Pedro Paulo Ramos Ventura, teólogo e escritor, é angolano, natural de Luanda. Nascido em 1975. Residente no Brasil há 14 anos, casado com a brasileira Arcela Hubner Rocke Ramos Ventura, formado em teologia pelo Centro de Treinamento Missionário Betânia (CETREMIB) em Camaquã-RS. Licenciado em filosofia pela Universidade Jesuíta, Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) em São Leopoldo-RS. Licenciado em letras pela Universidade Leonardo da Vinci (UNIASSELVI) em Camaquã-RS. Membro do grupo de identidade de Pesquisa de Negritude da Igreja de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), onde publicou um artigo sobre a religião antes e depois de Agostinho Neto em Angola. Foi professor do Seminário Batista Independente de Esteio-RS, lecionou Exegese do Novo Testamento, Hermenêutica, História da Igreja e Velho Testamento. Aprofundou-se nos estudos de grego e cursou ciências das religiões pela EST (Faculdades Superior de Teologia da Confissão Luterana no Brasil) em São Leopoldo-RS. Foi pastor da Primeira Igreja Batista de General Câmara-RS e pastor dos jovens da igreja Presbiteriana Chinesa em Porto Alegre-RS. Atualmente é membro da Igreja Batista Pioneira de Camaquã- RS. Autor do livro A utopia do perdão.

Serviço:

A Culpa é do Monoteísmo
Pedro Paulo R. Ventura
Scortecci Editora
Religião
ISBN 978-85-366-2241-5
Formato 14 x 21 cm 
72 páginas
1ª edição - 2011

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