BAIXO DAS MANGAS / Alfredo Assumpção

Baixo das Mangas não é um lugar imaginário, fictício. Descobri que suas cascas, suas lascas e seu aroma vivem em cada um de nós, com um poder demolidor de recuperação de memórias, inclusive daquilo que nunca aconteceu. O que não existiu, inaugura-se sucessivamente, enquanto as aventuras de seus personagens se confundem com nossos amigos perdidos pelo caminho e descaminhos de tantas vidas propostas.

Os vestígios de tudo que pegou fogo, pra tudo que fizemos figa. Baixo das Mangas tem uma linguagem vertiginosa. É teatro e cinema andando de mãos dadas nas páginas de um livro que se devora e que nos devora anarquicamente feliz, com endereços que podem ser em qualquer lugar, nos levando para qualquer lugar.

Pode ser aqui, pode ser ali. Suas páginas são frenéticas, seus assuntos, mundos. A amizade dos amigos, as aventuras sexuais, a forma de ver e rever as famílias, tudo isso nos multiplica sensações ofegantes de épocas passadas e futuras. A generosidade do texto é um trem das cores. Suas janelas nos atropelam de paisagens frenéticas, de ir e vir com descrições perfeitas, serenamente lúdicas.

A descrição do Rio de Janeiro merece um hino. Destes que descem ladeiras de sandálias. A intimidade com a música, seus processos e sua magia. Seus sonhos, senhas e saraus. Tudo inspira confiança, mudança de “aires sempre buenos”. Alfredo dizia que sua proposta é felicidade e esta cidade se chama Baixo das Mangas. Ela não fica soterrada no final do livro, que não termina. Hoje vi um Saci andando pelas ruas da Zona Sul do Rio. Suspeito que os ares do Baixo oxigenam o que temos de melhor e às vezes perdemos ou esquecemos.

O que fica de lado enquanto a gente pensa que vai em frente. E quando você pensa que a leitura acabou, um CD de música feliz te banha como uma ducha, um banho de mangueira numa tarde de sol nas montanhas. Nada mais urbano, mais mundano. Nada mais Baixo das Mangas, para o mundo.
Marcelo Castello Branco - Executivo da Área Musical e Entretenimento

Bússola para a felicidade. Este livro é o meu principal conto, porque eu sou a própria narrativa. Aqui, sou-me por inteiro. Cada personagem tem o Alfredo Assumpção “esculpido e encarnado” (“cuspido e escarrado”). Baixo das Mangas é uma cidadezinha do interior que criei para meu uso exclusivo. Nela encravei meus versos em cada muro, cada parede, cada quarto de concubina.

Fiz-me família, músico, poeta, cantor e compositor. Às vezes, fui canalha para encontrar-me; em seguida, numa superação contínua em busca de felicidade, na forma de amigo, amante, astro e empresário responsável. Entrego a todos o meu lado mais poético, revelando-me, pela primeira vez, como um escritor de romance, para o qual nunca soubera ter o talento literário necessário. Estou muito feliz, pois consegui apresentar-me em profundos momentos de reflexão sobre muitos problemas do ser humano, eu em cada um deles, sem nunca perder o senso de humor.

Com coragem, abordei diversos temas que muitos autores preferem passar ao largo, e não me arrependo, porque assim é a vida. Por mais que seja uma ficção, o livro pretende estar o mais próximo possível da nossa realidade cotidiana. Você vai se encontrar na escrita constantemente, porque a ficção, propositadamente, persegue o real. Se na narrativa cito lugares, pessoas e fatos marcantes, é apenas para que o leitor posicione-se num momento histórico. Todo o restante ligado aos personagens e à história é fruto da minha imaginação, pura invenção.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. O que considero de mais lindo neste trabalho foi ter conseguido narrar uma história extremamente envolvente, mas sem que, em nenhum momento, na forma como se desenrolam os destinos dos personagens, eu os deixasse se afastar de objetivos de felicidade. Ser feliz e tê-los felizes foi o norte de meus pensamentos e de minhas intenções para a vida deles e para a minha. Vivi intensamente o livro. Diverti-me a valer, porque é um livro divertido e que diverte.

É uma viagem de felicidade. Vale a pena conferir. Se você não a tem, tente adquirí-la em seu mais profundo interior. Refiro-me a uma eterna bússola que nos guia rumo à felicidade. Eu a usei demais. Gargalhe comigo esses momentos. Use sua bússola. Se você ainda não a tem, eu lhe empresto a minha, na forma desta narrativa. Leia e seja feliz.

Serviço:

Baixo das Mangas
Alfredo Assumpção
Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-2240-8
Formato 14 x 21 cm 
268 páginas
2ª edição - 2011
Acompanha CD

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