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VISÕES PARA UMA BOA CONVERSA SOBRE INCLUSÃO E CIDADANIA / Carlos Ferrari

Conheci o Professor Ferrari recentemente, numa reunião em Brasília. Estivemos trabalhando por mais de duas horas e pude perceber que todas as suas observações caracterizavam-se pela prudência e objetividade. Pensei comigo mesma que se tratava de uma pessoa experiente e com muita visão.

Dias depois fui surpreendida com seu convite para participar deste livro, expressando minhas impressões a respeito de seu texto. Este me foi enviado e, desde as primeiras frases, percebi que é muito agradável de ler, pois está escrito de modo fluente e vem enriquecido com ilustrações que despertam   a atenção. Para minha surpresa, o livro relata inúmeras “visões” de seu autor, o que confirmou a primeira impressão que me causou: uma pessoa capaz de ver longe.

Mas ele é cego, o que poderia parecer um paradoxo, não fosse a polissemia do termo visão, que vai muito além do enxergar, o que se evidencia no texto do livro, de relatos profundos e bem-humorados. Creio que nunca estive antes com um material de tanta leveza com potencial para desencadear sérias reflexões sobre inclusão e cidadania, tema ainda polêmico e que tem gerado conversas tensas e acaloradas. A crônica “Eu e as latas” levou-me a tirar os olhos do texto para rever, mentalmente, a cena de um cego com sede e sozinho num quarto de hotel, com várias latinhas na mão e sem saber o que contêm...

Como bem disse o autor, deixa-se de considerar, na lógica capitalista, cerca de 27 milhões de consumidores brasileiros. Considero esse relato como épico, mas li algo que qualifico de lírico quando, ao ser indagado da cor do quarto da filhinha que estava por nascer, rebuscando suas reminiscências, o Prof. Ferrari sugeriu “rosa danoninho”! O texto é lindo, vale a pena ser lido e, certamente, dará origem a muitas e muitas conversas sobre inclusão e cidadania. Conversas boas – ótimas, eu diria.
Profa. Dra. Rosita Edler - Educadora e neuropsicóloga - Ex-Secretária Nacional de Educação Especial do Ministério da Educação

Visões diante do mundo são a tônica deste livro. O humor fala por meio dos artigos, fazendo-nos lembrar de seu poder de quebrar. Quebrar paradigmas, conceitos e preconceitos. Nos artigos aqui reunidos, Carlos Ferrari nos brinda com vários olhares, de quem aprendeu a olhar a vida com o ouvido, com o olfato, com o tato, com o paladar. Há aqui uma posição clara de um autor que não tem medo de tomar partido, que vê a deficiência como uma condição humana.

Uma das formas de estar no mundo, que pode ser com maior ou menor sofrimento, quanto maiores ou menores forem as barreiras físicas, sociais e culturais. Essa forma de se olhar traz leveza ao livro. Dá ao leitor a experiência fantástica do que podem nossos limites. Assumir essa possibilidade é dar um “soco no estômago” dos que percebem o ser deficiente como capaz ou incapaz. É assumir que tudo depende, que tudo é absolutamente relativo. Aos leitores, alerto que a opção feita pelo escritor foi pelas experimentações vivenciadas no cotidiano, na incrível descoberta da convivência com o outro: a família, a escola, os amigos, o trabalho, os amores.

A experiência com a deficiência exige dos que a compartilham a chance de criar possibilidades de convivência o tempo todo. Aceitem o convite. Tirem a bengala das mangas. Afinal, o que pode haver maior ou menor que um toque, um grande toque, um pequeno toque.
Simone Aparecida Albuquerque - Assistente Social e Especialista em Saúde Pública - Diretora de Gestão do SUAS do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

Carlos Ferrari é professor universitário e militante com atuação reconhecida nacional e internacionalmente no movimento de pessoas com deficiência. Nasceu com glaucoma congênito e ficou totalmente cego aos sete anos de idade. Mestre em Administração e especialista em Marketing, Ferrari tem compartilhado suas visões sobre inclusão e cidadania em diferentes espaços midiáticos, com bom humor e opiniões muitas vezes polêmicas. Para tanto, o autor resgata em seus textos inúmeros momentos de vida que ilustram situações de superação de limites e identificação de oportunidades. Traz ainda reflexões profundas, fruto de uma jornada política marcada por conquistas e  feitos importantes, tais como a participação na unificação do Movimento de Cegos Brasileiro por meio da fundação da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) e a chegada à presidência do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), em que representa a sociedade civil organizada a partir da Federação Nacional das AVAPES, pelo segmento de usuários da política.

Serviço:

Visões
Para Uma Boa Conversa Sobre Inclusão e Cidadania
Carlos Ferrari
Scortecci Editora
Crônicas
ISBN 978.85.366.2283-5
Formato 14 x 21 cm
144 páginas
1ª edição - 2011

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