O IMPRESSIONISTA - LIVROS QUE MATAM / José Mauro Lima Panella

Compilação de resenhas literárias, críticas de cinema, dicas atemporais e um conto que dá nome ao título. Em “O impressionista”, um artista-assassino com algum senso de justiça utiliza, de forma magistral, a combinação entre artes plásticas, literatura e leis da física como principal arma. O modus operandi, exótico em sua complexidade, consiste em deixar cair da maior altura possível um livro volumoso e de qualidade questionável sobre a cabeça das vítimas, com extrema precisão.

A cada impacto, embalagens com tinta acopladas às páginas da obra explodem, se misturam ao sangue e criam pinturas de mórbida beleza enigmática, que ao serem observadas de um ponto distante dão asas à imaginação do detetive de polícia Tristán Duchamp. Ao iniciar a investigação ele constata, além da evidente premeditação dos assassinatos por um especialista em vários campos, que os “livros que matam” guardam íntima relação com a personalidade dos alvos escolhidos. Não encontra, entretanto, suspeitos, motivo, ou ligação entre as vítimas. À medida que se aprofunda no caso, Duchamp percebe que será preciso estar à altura do desafio para enfrentar o lado sombrio de Renoir, Monet e Cézanne.

Primeiro o senador Dionísio Borba Gato é assassinado com um golpe do mastodôntico tomo “Os meandros do Poder Legislativo”, de 900 páginas e capa dura. Lançado na cabeça do parlamentar do alto de um edifício, com precisão guilhermetelliana, o worst-seller contém invólucros com tinta amarela e preta que, ao se misturarem ao sangue, dão vida a um tipo de pintura impressionista. Na primeira página, o detetive Tristán Duchamp encontra ainda o nome Renoir em azul, escrito pelo assassino.

Com o mesmo modus operandi também são abalroados o empresário Ozualdo Prado de Castro Júnior e o jurado de reality show Júlio Cabrera, respectivamente pelos volumes “Regulamento do Imposto de Renda 2005” e “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Figuram em suas mortes os nomes Monet e Cézanne. Impressionado pela genialidade do matador, o “policial dadaísta” se vê diante de uma espécie de justiceiro serial que parece selecionar as vítimas de acordo com a personalidade, eivada de vilania e mau-caratismo, empregando como arma livros que representam, paradoxalmente, o que elas deveriam ser ou aprender no exercício de suas atividades.

As pistas deixadas para trás pelo “impressionista”, embora esteticamente elegantes, não formam elo com nenhum dos suspeitos investigados pela polícia, e Duchamp, mais concentrado no duelo pessoal do que em qualquer outra coisa, investigará a fundo a vida de todos os envolvidos para emergir vencedor do caso, intitulado “livros que matam” pelos sensacionalistas.

Formado em Publicidade e Propaganda e com mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Publicou dois livros em 1984: A longa noite dos Samurais, pela Shogun Editora (poema sobre a Revolução Estudantil de maio de 1968) e Rosebud, pela Roswitha Kempf Editora (contos e fragmentos), em parceria com o jornalista Guilherme Monteiro. Em 2008, lança pela Escrituras Editora O Clã Matsumoto (romance policial), escrito a quatro mãos com o também jornalista Leonardo Lelis. Cinéfilo inveterado, participa ocasionalmente como crooner convidado de bandas de “rock do pedaço”.

Serviço:

O Impressionista
Livros que Matam
José Mauro Lima Panella
Editora Scortecci
Ficção
ISBN 978-85-366-2448-8
Formato 14 x 21 cm 
104 páginas
1ª edição - 2011

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