AONDE, COMPANHEIRO, TÔ FORA! / Hélio Motta

De volta para a pensão, tinha reservado dois quartos, fiquei me indagando como seria a divisão, quem iria ficar com quem. Por debaixo da mesa já tinha dado um toque na Lurdinha, que estava magnífica “seus tempos de Estados Unidos tinham deixado a sua pele mais sedosa, os cabelos loiros e esvoaçantes, fruto de cremes e sabe-se lá o quê mais”.

Estava gostosa, as pintinhas das sardas no início dos seus seios davam a ela um ar de nobreza e, para quem morava em um “castelo” aqui em Salvador, com alguma imaginação poderia dizer que estava uma princesa. Estava tão bem que a Janis pegou-a pelo braço e levou para o seu quarto, nos dando um frio good night, antes de trancar a porta. Dormir com esse cara, nesse quartinho pequeno? Aonde, companheiro, tô fora! E se ele roncar e peidar a noite inteira?
– Acho melhor a gente se picar logo pra cidade, para o hotel, antes que cancelem a nossa reserva. Deixamos um bilhete para as duas matusquelas com o telefone da suíte e pronto, vamos logo pra gandaia, o que achas, Dennis?
– Ora, pois pois, só se for agora.
E assim, de madrugada, chegamos ao Hotel da Bahia para nossa suíte que tinha dois quartos internos e uma sala de visitas grande o suficiente para montarmos o nosso próprio baile de Carnaval.

A Janis gostou muito da sua última aventura na Bahia e então resolveu repetir a dose, dessa vez com um grupo de amigos e em pleno Carnaval. O Cara recepciona a turma e fica muito amigo de um deles, o Dennis, que o convida para fazer um trabalho nos Estados Unidos. O Cara que tem aversão a americanos, como todo universitário engajado na política estudantil, aceita de bom grado, curioso que fica para conhecer o “inimigo” de perto e atraído por vários dólares oferecido na parada. Além do trabalho, a Janis o convoca para participar com ela em um festival de música que viria a se chamar “Woodstock”, o que o Cara identificou como uma oferta irrecusável. Para completar a situação, a sua saída do país tornou-se, de repente, mais do que oportuna, por conta de certa “cagada” envolvendo outros dólares do finado ex-Governador de São Paulo, Adhemar de Barros.

Este é o segundo livro de Hélio, o primeiro – Oxente, Companheiro, Até Você? – iniciou uma saga do Cara, herói e alter ego do autor, que agora se mete em outras embrulhadas divertidas e picarescas.

Serviço:

Aonde, Companheiro, Tô Fora!
Da Bahia Para os Estados Unidos no Fim dos Anos 60
Hélio Motta
Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-2671-0
Formato 14 x 21 cm
164 páginas
1ª edição - 2012

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